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Odailson Fonseca

Odailson Fonseca

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Inovação jovem sob uma perspectiva inteligente

A volta dos Pródigos

Desapego é uma lição obrigatória da vida. Com unhas e dentes prendemos nossas rotinas e manias até sermos forçados a nos libertar delas. Inesperados se vão nossos feudos emocionais assim que ficamos reféns do imponderável, pois o imprevisto sempre obriga a mudança de atitude. É uma convocação imediata contra o inimigo da zona de conforto.

Se fosse agora, o filho também fugiria. Abandonaria o barco na forma de berço que o embalou. Mataria o próprio pai no coração. Encheria seus bolsos com a herança antecipada. Compraria carro da moda, frequentaria áreas VIPs da noite, e desfilaria reluzindo marcas de luxo. Postaria #selfieostentação, arrebatando fugazmente admiradores reais ampliados por fãs virtuais. Viraria celebridade imediata – cortejado pelo brilho de outras estrelas na galáxia da ilusão –, até ser devorado pelo buraco negro sem fim.

Hoje, o cheiro dos porcos se trocaria pelo preconceito social, mas o resultado seria o mesmo: jovens esvaziados da felicidade tentando tirar tudo do nada. Ou seja, uma nova geração com extremas condições de fazer a diferença, mas que se perde no ocaso da irrelevância. Quer ver? Gastando o que não tem, vestindo o que não precisa – para parecer o que não é. Esperando de amizades descartáveis o que só o afago divino pode preencher. Boiando em águas traiçoeiras da internet até ser tragado pela deep web (*). Idolatrando o espelho cujo reflexo não disfarça na maquiagem da embalagem a tortura do vazio de conteúdo. Gente tateando na distração da noite o significado incapaz de ser encontrado de dia.

Que tal voltar? Desapegar-se deste mundão que não vale? Ou mundinho que apequena seus ideais de águia?

Porque viver é voltar pra casa. Nós sobrevivemos voltando – para aqueles que amamos, ou uma recordação que valeu, o senso de pertencimento, quem sabe um abraço não recebido, e até o sonho implacável de ser feliz. Saímos de um lugar original cujo retorno nos levará lá pela primeira vez. Portanto, entenda que o retorno pras coisas boas é melhor do que o avanço na direção do que não presta. Retroceder para o Céu supera prosseguir norteado pelo nada. Até os braços escancarados do Pai? Sim, ali tem espaço para todos os pródigos – inclusive eu e você.

Basta voltar.

E o arqui-inimigo disso tudo? O mesmo hacker que invadiu a paz universal programada por Deus: o o r g u l h o . Este vírus infectou corações humildes que deveriam ver no Mestre a resposta pra sua ignorância. Separou filhos do Pai, afastou ovelhas do Pastor e sucateou a relevância da Lei.

Mas não silenciou a excelência da Cruz. Isso jamais! O estrondo da separação consumada entre Pai e Filho estremeceu com força supersônica o silêncio que o pecado tentou emplacar. Eles se afastaram à distância da morte para nos aproximar no aconchego do abraço. Voltar se tornou viável. O inimaginável despontou onipotente ancorado no Calvário. E a maior verdade de todas esvaziou o inferno dos derrotados: é possível!

P O S S Í V E L .

Isso inclui vencer o cheiro de porcos impregnado no hálito das drogas. Escreve na lista de salvo-condutos os meliantes do corredor da morte. Perdoa os imperdoáveis beijando com a Graça os dejetados da desgraça. Ama o que de pior existe no cativeiro do vício pelo que de melhor se promete na esperança da libertação. É possível aos nefastos que se acovardam no lixo. E aos perdidos que mergulharam sua alma no esgoto, porque não há excluídos desta saga divina vasculhando incansavelmente Suas criaturas desorientadas no breu.

Entende a razão dramática das palavras? Pródigos somos todos, embora os que mais se reconheçam sejam os maiores alcançados. Tudo mudou no Universo para a gente mudar pra sempre. Pois o primeiro Céu e a primeira Terra passaram (Ap. 21:1). Que esta virada de ano seja pra gente pensar mais, retornando se preciso for. E se a morte conectar intrusa na rede da vida, que o fim ameaçador seja sublimado pelo começo vencedor. Um recomeço digno de esperança para todos os indignos como nós.

E você, voltará para 2015?

Feliz céu!

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* https://pt.wikipedia.org/wiki/Deep_web

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