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Odailson Fonseca

Odailson Fonseca

ON

Inovação jovem sob uma perspectiva inteligente

Do pau de sebo… ao de selfie!

Não adianta, ele veio pra ficar! Foi o presente mais desembrulhado do planeta no final de ano, é o recorde de busca nas lojas on-line, enriqueceu ainda mais a China, está em todas as plateias e virou ponto turístico dos pontos turísticos.

Apresento: o Pau de Selfie.

Esta expressão, diga-se de gosto tremendamente duvidoso, deixou de ser constrangedora e desconhecida pra adentrar a dimensão de celebridade pública. Tornou-se mania generalizada infectando seres digitais com seus dispositivos portáteis, ou seja, todo mundo. Ah, até eu me rendi! Por que pedir cafonamente pra alguém tirar uma foto? Fala sério! É só esticar telescopicamente o bastão de metal, clicar no botão pareado via bluetooth com o celular, fazer uma cara de paisagem e “click” – mais um arquivo abarrotando a memória do aparelho.

Frases como “ei, faz um selfie comigo?” ou “chega mais, vamos fazer um selfie” ou pior, “sai daí que eu estou num selfie”, passaram a fazer parte do cotidiano como se já existissem desde as Polaroides instantâneas. Todo mundo quer se fotografar, mostrar-se pro resto do mundo, sobrepondo seu mundo pra todo mundo. Narcisismo virtual? Não, digamos independência real. Afinal, se antes éramos auto-paparazzis com selfies, agora somos auto-suficientes com estes tais bastões esticáveis – e ninguém mais precisa de alguém pra se imortalizar numa imagem. Com o selfie stick todos nos viramos sozinhos.

É por isso que este novo gadget de autonomia portátil me faz pensar em outros palcos da vida. Desde a criação, parece que as criaturas humanas vêm tentando substituir o criador. Pra que buscar alguém fora de mim se posso tentar me virar sozinho? Por que pedir ajuda alheia se sou dono do meu próprio nariz com o rei na barriga? Pensamentos assim tentam nos independer de tudo o tempo todo. Numa sociedade encapsulada por espelhos, a auto-imagem antropocêntrica refém do orgulho e da vaidade rejeita a visão do “alguém mais” e “além daqui”. Só que o umbigo continua ali – feito memorial incômodo nos lembrando de que fomos gerados.

Tirar foto de si não é o problema. A questão visceral é saber quando passei a viver somente pra mim mesmo. Nesta geração independente do Pau de Selfie, o inimigo só vai nos tentar em uma única coisa: pormos nossa dependência de Deus no pau de sebo. Escorregadio por natureza, o pecado usará a arma mais letal não para nem chegarmos perto de Jesus, mas para não permanecermos lá.

Entende o perigo dos nossos tempos? Um Sansão se acomodando na própria força, um Pedro se achando demais por desfilar na onda ou até mesmo um Moisés agredindo a pedra d’água, todos alertaram nossa pior luta: não deslizar da proximidade vital do Salvador, pois não haverá jamais um subterfúgio humano capaz de resolver o mal que devastou nosso próprio “selfie”.

Queres ser curado?” (João 5:6). Que pergunta, hein?! Soaria ridícula se não fosse extraordinariamente divina dirigida a um aleijado que por 38 anos só pensava na cura de si mesmo. Se ao lado do tanque ele conseguia apenas se fotografar com seus sonhos despedaçados, foi com Jesus que ele encontrou o que buscou a vida inteira. Acho que já deu pra você entender, certo?

Então, posso fazer um pedido de amigo? Toda vez que você fizer uma foto de você mesmo, que tal se lembrar de quem já fez uma imagem linda, e só sua, pra toda a eternidade? Seguirei fazendo meus selfies, mas orarei intensamente pro Criador continuar recriando em mim a necessidade de criatura. Vamos curtir a vida, registrar os bons momentos, até fazendo caras e caretas, mas sem esquecer que a revolução do bem só vai contagiar o mundo através de uma juventude comprometida com o céu – e não consigo mesma. Não haverá limites pra quem romper com os limites de si, e o impensável será possível pra quem voltar seu olhar mais pra cima do que para dentro.

Quer saber, é melhor eu deixar Deus fazer o meu selfie.

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