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Luiz Gustavo Assis e Marina Garner

Luiz Gustavo Assis e Marina Garner

FÉ RACIONAL

Arqueologia bíblica e filosofia.

Sacrifícios infantis

Guerras parecem ser uma prática tão antiga quanto a humanidade. Algumas das motivações por detrás de tais conflitos são econômicas, políticas, geográficas e também religiosas. Entre os povos do Antigo Oriente Médio, a região na qual as histórias do Antigo Testamento ocorreram, é difícil encontrar uma batalha sem uma dessas motivações, e muitas delas com o ingrediente religioso.

Graças a inúmeros achados arqueológicos, sabemos quais eram as armas utilizadas, o tipo de táticas que foram seguidas pelos exércitos, o número de soldados mortos no confronto, o tipo de alimentação seguida pelos exércitos, entre outras informações. Não é incomum encontrar cenas de tais guerras nas paredes de templos ou palácios dos governantes vitoriosos. Uma delas é a destruição da cidade filisteia de Ashkelon (a Ascalom bíblica), em Karnak, no Egito, pelo faraó Merneptah. Enquanto os egípcios utilizavam suas armas para tentar conquistar a cidade, seus habitantes erguiam as mãos em sinal de súplica a divindade (ou divindades) locais.

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Destruição de Ascalom pelo exército egípcio

 

 

 

 

 

 

 

 

O que é mais chocante é notar que duas crianças estão sendo atiradas dos muros de Ascalom. Uma delas (à direita) aparentemente está tendo sua garganta cortada. Qual o objetivo? Além da intenção de chocar o exército inimigo e fazê-lo bater em retirada, é possível que uma divindade estava sendo invocada. Isso não era incomum naquela região. A prática de sacrifícios de crianças é bem documentada entre os povos do Antigo Oriente Médio. Com isso em mente, torna-se mais fácil entender a história registrada em 2 Reis 3. Quando Mesha, rei de Moabe, percebeu que a batalha contra Israel e Judá estava sendo perdida, ele tomou seu filho, aquele que o sucederia no governo, e o sacrificou. Tal prática teve um efeito psicológico nos soldados de Israel e Judá, que bateram em retirada (2 Reis 3:26-27). Mesha considerou isso uma vitória do seu deus Qemosh (conhecido em outros lugares de Canaã com Moloque). A famosa “Pedra Moabita” é a versão de Mesha sobre essa batalha, onde ele fala da vitória de Qemosh sobre as tropas de Israel e Judá.

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Pedra Moabita, em exposição no museu do Louvre, em Paris, França

É impossível não ficar chocado ao saber que povos do passados sacrificavam crianças aos seus deuses. No Antigo Testamento, esse tipo de prática era punida com pena de morte (Lev. 20:1-5)! Deus lidava com isso de maneira muito séria. E o que dizer dos nossos dias? Somos melhores que tais povos? O que dizer das milhares de crianças abortadas anualmente? Não me refiro a casos de sérios riscos para saúde da mãe ou por questões de abuso, mas sim, àqueles feitos simplesmente pela falta de planejamento”pessoal e financeiro. O que dizer das crianças que são sacrificadas todos os dias pelos ocupados pais que não se contentam com o que tem e trabalham mais de 12 horas por dia para sempre obter mais?  O que dizer das crianças que são sacrificadas todos os dias pelos pais que os entretêm com a televisão, videogames e Internet, onde uma avalanche de lixo cibernético destrói qualquer sensibilidade para uma moralidade sadia. ‘Qemosh’ parece estar bem ativo em nossa ‘avançada’ sociedade. Como disse o teólogo luterano Dietrich Bonhoffer: O teste da moralidade de uma sociedade é o que ela faz por suas crianças.

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