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Luiz Gustavo Assis e Marina Garner

Luiz Gustavo Assis e Marina Garner

FÉ RACIONAL

Arqueologia bíblica e filosofia.

O Estado Islâmico e o Futuro da Arqueologia no Iraque

Há uns quatro meses tive uma ideia. “Vou ao Iraque”, pensei. Já estava nos planos uma viagem para a Jordânia, vizinha do Iraque, por três semanas, para participar de uma escavação num sítio arqueológico mantido pela Universidade Andrews (EUA). Sempre fui fascinado pelas histórias bíblicas que envolviam Babilônia e Nínive. Na adolescência, comecei a ler sobre a história dessas duas importantes cidades da Mesopotâmia, atualmente no território do Iraque. O que mais eu poderia desejar senão ver com meus próprios olhos locais com um tremendo significado bíblico e histórico?

Porém, algumas coisas dificultaram a execução do meu plano. Entrei em contato com a embaixada brasileira no Iraque. Disseram que não era muito recomendável ir devido a situação instável do país, e a presença de vários rebeldes terroristas, mas afirmaram que poderiam organizar um comboio com seguranças para visitarmos esses lugares, já que os brasileiros que trabalham lá ainda não conhecem essas duas localidades. Minha empolgação com esse email foi tão grande quanto a indignação da minha esposa ao ouvir meu itinerário desejado. Colocando em perspectiva, o que é melhor: ver tijolos de aproximadamente 3 mil anos, ou ter uma esposa feliz dentro de casa? Então pensei: quem sabe não agora, mas daqui a alguns anos quando a situação estiver mais calma.

Infelizmente tive que mudar minha opinião novamente. Durante meu período na Jordânia, um grupo terrorista, criado em 2006, e sem muita expressão política na região surgiu com uma tempestade sobre o Iraque. Trata-se da ISIS (em inglês, Islamic State of Iraq and Syria) ou ‘Estado Islâmico do Iraque e Síria’ (ELIS). Lembro-me de ter lido uma das matérias da CNN sobre o terror que esse grupo estava causando aos iraquianos e sírios, e afirmava: quando vemos um grupo terrorista inteligente e com um fanatismo religioso latente, toda e qualquer agência contra-terrorismo fica com medo.

E medo é a principal palavra para os cristãos que vivem, ou viviam, no norte do Iraque. Centenas de milhares deles foram expulsos de suas casas em Mosul. Aqueles que ficaram são executados, ou obrigados a pagar uma quantia em dinheiro. Foi no começo desse mês que pela primeira vez, em aproximadamente 1600 anos, não houve um culto cristão na cidade de Mosul. Essa é sem dúvida uma das maiores perseguições que o cristianismo já enfrentou naquela região. Ironicamente, o falecido ditador Saddam Hussein, cujo nome faz qualquer Ocidental ter maus pensamentos, provia o necessário para o seu povo, e além disso, permitia que cristãos vivessem em paz no país e construíssem suas igrejas. A Igreja Adventista do Sétimo Dia, por exemplo, contava com vários locais de culto no Iraque, naquela época. Foi somente após a invasão americana de 2003 e a execução de Saddam em 2006, que o Iraque se tornou um paraíso para terroristas e perdeu sua liberdade religiosa.

O massacre de qualquer grupo de pessoas causa tristeza e revolta. Mas o referido grupo terrorista tem outros objetivos: destruir locais e objetos de grande importância para a história islâmica e bíblica, com a explicação de que tais locais se tornaram símbolos de idolatria, não de adoração. Há aproximadamente duas semanas, um amigo iraquiano postou um vídeo no Facebook de uma explosão em Mosul. As ruínas da antiga Nínive, a segunda capital do império assírio, estão nessa cidade. Qual não foi minha surpresa quando traduzi a legenda árabe que dizia “destruição de Nebi Yunus, o túmulo do profeta Jonas”. Cerca de uma hora depois recebi um email de uma lista que faço parte (IraqCrisis) confirmando que o referido local havia sido destruído. Dificilmente os ossos do profeta bíblico Jonas, filho de Amitai, estariam lá, mas a riqueza histórica do local e sua destruição são lamentáveis.

Como se vê, a riqueza arqueológica do Iraque, e da Síria também, está seriamente ameaçada. Tentativas estão sendo feitas para se preservar patrimônios da humanidade naquela região, mas até agora elas só estão no papel. Somado a isso, membros da ISIS estão saqueando importantes sítios e vendendo os artefatos no ‘mercado negro’, para financiar suas operações. No mês passado, foi noticiado que um dos painéis do palácio real de Nínive, cheio de relevos e inscrições cuneiformes, havia sido roubado. Mas ainda não temos uma confirmação exata. O fato é que o responsável pelo museu arqueológico de Mosul foi preso pela ISIS, e terroristas estão “protegendo” o local.

No meu texto Os Assírios e a Praça da Sé, falei das atrocidades do império assírio durante o período do Antigo Testamento. Decapitações, pilhas de corpos, e inúmeras formas de tortura eram algumas das marcas distintivas daquele exército cuja capital era Nínive. Hoje, mais de 2600 anos depois, a mesma região se depara com um grupo sanguinário, causando terror e desespero na população ao redor.

Para aqueles que consideram Deus passivo diante da maldade, vai um exemplo arqueológico: Nínive foi destruída em 612 a.C., pelos soldados do império de Babilônia, nessa época liderados por Nabopolassar, pai de Nabucodonosor. A destruição foi definitiva. A cidade nunca mais foi habitada. Uns três séculos depois, Alexandre, o Grande, passou pela região e gritou para o seu exército, dizendo: “Era aqui que a grande Nínive estava”. Somente em 1840 que arqueólogos descobriram suas ruínas.

Não se engane, a maldade que vemos de maneira desenfreada, seja no Iraque ou na sua cidade, será punida, e bem punida.

Luiz Gustavo Assis

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