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Luiz Gustavo Assis e Marina Garner

Luiz Gustavo Assis e Marina Garner

FÉ RACIONAL

Arqueologia bíblica e filosofia.

O argumento do ateu bonzinho

Cresci em um lar de muita diversidade religiosa e penso que posso dizer que sou “versada” em muitas línguas religiosas por causa disso. Apesar de minha mãe ter crescido católica e ter passado um pouco desta tradição para nós filhos, ela tinha paixão por religiões/espiritualidade oriental e praticava Reiki (iniciação oriental em que os seguidores e praticantes acreditam poder curar com as mãos e ter comunicação com os mortos). Meu pai, por sua vez, havia feito parte da religião Baha’i (religião persa monoteísta que prega principalmente a união de toda a humanidade), mas depois de algumas decepções tornou-se deísta (crença em que talvez exista um Deus, mas que não se envolve com suas criaturas). Mais tarde, meu irmão mais velho se tornou um ateu militante e meu irmão mais novo um espiritualista antirreligião.

Foi com certeza sob esse pano de fundo que surgiu o meu interesse por apologética e a busca por bons argumentos racionais para a fé em Deus e na Bíblia. Tudo isso para, é claro que unido com a influência do Espírito Santo, poder trazer uma luz para as dúvidas que surgiam na minha cabeça e na da minha família. Um dos primeiros argumentos pelo qual me apaixonei e pela qual continuo apaixonada até hoje (assunto da minha tese de mestrado) é o argumento moral. Coincidentemente, foi o único argumento que silenciou meu pai em uma conversa (que, para aqueles que conhecem meu pai, é um milagre).

O argumento moral para a existência de Deus se baseia em um questionamento interessante: como é que você sabe a diferença entre o certo e errado, o moral e o imoral? Como é que a moralidade existe em todo o tipo de cultura independente do local no mundo? Como é que uma simples criança entende a diferença? Estas perguntas não são simples, pare para pensar. Se não existe criador, aquele que colocou em nós a noção do certo e errado, como ela pode ser explicada? Não somente a moralidade existe, mas ela existe de forma objetiva, ou seja, o certo e errado é independente da opinião ou preferência das pessoas. Uma forma de você saber disso é se perguntando: é certo matar uma criança inocente com uma facada? Sua reação provavelmente foi instantânea: NÃO!! (e provavelmente simultânea a uma reação facial de desgosto).

Muitos querem tentar resolver a necessidade de um Deus dizendo que é a comunidade que determina o que é certo e errado, ou o indivíduo ou até mesmo como resultado da evolução. Cada uma dessas explicações tem sérios problemas práticos e filosóficos como por exemplo, se a moralidade é ditada pela comunidade, então a Alemanha nazista não estaria errada em impor a tortura e morte de milhões de pessoas na Segunda Guerra Mundial! Isso não parece coerente.

O argumento moral é muito convincente justamente porque a maioria de nós é muito enfático quando se trata de moralidade, e o interessante é que não são só crentes em Deus que pensam assim, mas até os ateus. O argumento não diz que somente os teístas têm moralidade, mas que todas as criaturas humanas têm e isso inclui, é claro, nossos queridos amigos ateus. Então, da próxima vez que você encontrar um ateu lutando por justiça e moralidade, pergunte-o de onde veio isso tudo. Quem sabe seja o início de uma interessante conversa!

Marina Garner

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