Notícias Adventistas

Leandro Quadros

Leandro Quadros

Na Mira

As doutrinas presentes na Bíblia explicadas de um jeito fácil e interessante.

Conversa com um imortalista – Parte 1

Há algum tempo recebi os comentários de um irmão doutor em Teologia que crê na imortalidade natural da alma e, consequentemente, no “tormento eterno”. Logo abaixo transcrevo a resposta dada a ele para lhe ajudar, leitor (a), a ter uma metodologia a mais para a compreensão e ensino da doutrina bíblica da imortalidade condicional da alma, e consequente aniquilação dos ímpios.

Entre outras coisas, ele alegou que o que apresentei no programa Na Mira da Verdade era um ensino “herético”, não bíblico. Para comprovar sua alegação, citou textos como Mateus 10:28, Lucas 16:22, 23:43, 16:22, Filipenses 1:23, Apocalipse 6:9 e 14:11. Além disso, afirmou que o “aniquilacionismo” (crença de que os maus serão totalmente aniquilados ou destruídos) apresenta a Deus como sendo incapaz de resolver o problema do pecado.

A resposta começará meio “seca”, porém, isso se dará porque tirei a saudação inicial e fui direto ao ponto neste post. Oro para que este bom debate lhe seja útil.

Diversos teólogos têm mudado de opinião quanto à imortalidade natural da alma por perceberem que a antropologia bíblica é bem diferente da antropologia grega, que infelizmente acabou influenciado o cristianismo. Creio que ao apresentar alguns desses teólogos, isso o ajudará a perceber que minha abordagem ao tema no programa Na Mira da Verdade não é herética, mas partilhada por teólogos protestantes (e católicos) bastante conhecidos no meio acadêmico.

Em 1956, Oscar Cullmann, em uma conferência apresentada na Capela Andover, Universidade de Harvard, argumentou que o entendimento de Platão a respeito da imortalidade da alma, e o ensino cristão da ressurreição dos mortos são totalmente antagônicos. Entre outras coisas, ele afirmou:

“A antropologia do Novo Testamento não é grega, mas está conectada com as concepções judaicas. Para os conceitos de corpo, alma, carne e espírito […], o Novo Testamento usa, sem dúvida, as mesmas palavras que os filósofos gregos. Mas elas significam algo bem diferente, e compreendemos todo o Novo Testamento distorcidamente, quando construímos conceitos apenas do ponto de vista do pensamento grego. Muitas incompreensões surgem assim” (Imortalidade da Alma ou Ressurreição dos Mortos? O Testemunho do Novo Testamento [Artur Nogueira, SP: Centro de Estudos Evangélicos, 2002] p. 24).

Ele destaca que “nós não somos libertados do corpo [afinal, ele é considerado do “templo do Espírito”, não a “prisão da alma”, como ensinava Platão – ver 1Co 6:19,20]; pelo contrário, o próprio corpo é libertado […] A alma não é imortal. Deve haver ressurreição para ambos; pois desde a queda o homem todo ser está ‘permeado pela corrupção’” (Cullmann, p.p. 26, 27).

À luz da antropologia bíblica que, segundo Cullmann (entre outros que mencionarei) é holística, ao invés de dualística ou tricotomista, podemos compreender melhor (novamente citando o referido teólogo) textos paulinos mencionados pelo irmão em seu e-mail:

“Nem o que foi dito na cruz: ‘Hoje estarás comigo no paraíso’ (Lucas 23:43), nem na parábola do homem rico, onde Lázaro é levado diretamente ao seio de Abraão (Lucas 16:22), nem as palavras de Paulo: ‘Tendo o desejo de partir e estar com Cristo’ (Filipenses 1:23) provam, como se pretende frequentemente, que a ressurreição do corpo ocorre imediatamente após a morte do indivíduo. Em nenhum desses textos há nem mesmo uma palavra sobre a ressurreição do corpo. Em vez disso, essas cenas distintas descrevem a condição daqueles que morreram em Cristo antes do Fim – o estado intermediário no qual eles, bem como os vivos, se encontram. Todas essas cenas expressam simplesmente uma aproximação especial a Cristo, na qual se encontram aqueles que morreram em Cristo antes do Fim. Eles estão ‘com Cristo” ou ‘no paraíso’ ou no ‘seio de Abraão’ ou, de acordo com Apocalipse 6:9, ‘sob o altar’. Todas estas expressões representam simplesmente uma proximidade especial com Deus. Porém, a linguagem mais usual para Paulo é: ‘Eles estão dormindo’”. (Ibidem, p.p. 36, 37).

Veja Também


Comentários

WordPress Image Lightbox