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Karyne Correia

Karyne Correia

Mente Saudável

Os cuidados para se ter uma vida mentalmente saudável.

Feliz de “cara lavada”

Há alguns meses li uma notícia sobre uma exposição de fotos de mulheres famosas que haviam posado de rosto nu (sem maquiagem). As fotos da exposição às quais tive acesso eram de pessoas bonitas, normais e naturais. Recentemente, nas redes sociais, milhares de internautas aderiram a um desafio de postar uma foto de “cara lavada”. Em outras palavras, sem maquiagem. Entre famosos e pessoas comuns, de repente as redes sociais estavam repletas de fotos sem pó, lápis, batom, blush…

Dos vários desafios que costumam surgir nas redes sociais, para mim, enquanto psicóloga, este foi um dos mais interessantes. Isto porque acredito ser válido repensarmos a dificuldade que existe em apresentar-se sem máscaras, com a “cara limpa” e sem sentir vergonha. A exposição de fotos que citei anteriormente também me levou a esta reflexão. Durante o mestrado, em função do meu campo de pesquisa (psicodermatologia), li muitos artigos científicos acerca de beleza e pele. É interessante notar que marcas do tempo, como manchas, rugas e cicatrizes são vistas como inadmissíveis por muitas mulheres. Mais interessante ainda é observar que meninas que estão entrando na adolescência, e ainda sequer possuem estas marcas, precisam lançar mão de recursos de maquiagem para se sentirem belas. Que visão de si e de beleza é esta?

Não são raros os casos que chegam ao consultório de pessoas insatisfeitas com a própria imagem. Querem perder peso (ainda que estejam em boa forma), querem ter mais seio, mais curvas, diminuir o nariz, dar mais volume aos lábios, e acham que quando tiverem tudo isto serão felizes. Gostam de se ver maquiadas, e somente assim. Algumas se recusam a estar diante de um espelho para olhar para si mesmas como realmente são. Isto é patológico, mas estamos sendo tentados a considerar normal por uma cultura que incentiva uma beleza artificial.

Falta amor-próprio em muitos casos. Alguém que se ama é alguém que se cuida. Não é alguém que lança mão de recursos para parecer, para os outros, que se cuida, mas é alguém que se cuida de fato. Ela busca ter um regime alimentar saudável, praticar atividade física, e fazer coisas cujo resultado será uma pele mais bonita e saudável, peso adequado, condicionamento físico bom, curvas naturais no corpo… enfim, saúde e beleza natural. Por outro lado, existem aquelas que amam as convenções sociais, os alimentos não saudáveis e os hábitos sedentários mais que a si mesmas. Estas optam por soluções instantâneas tais como cirurgias plásticas, maquiagem, roupas que comprimem todo o corpo para melhorar a silhueta, etc.

Dezenas de pessoas já argumentaram comigo que tanto tempo de pecado tornou nossa imagem física feia, e por isto precisamos de maquiagem para corrigi-la. Eu concordo que a beleza original do ser humano era superior à nossa, contudo, mais do que nosso corpo, nossa mente foi corrompida pelo pecado. É em nossa mente que fazemos a avaliação de feio e bonito. É consequentemente em nossa mente que vemos feiura onde deveríamos ver o comum.

Não condeno aqui todo e qualquer uso de maquiagem. Existem momentos pontuais em que ela possui sua função. Numa gravação em um estúdio de TV, por exemplo, até o rosto de um homem recebe um pouco de pó, quando necessário, para garantir a qualidade da imagem, visto que o ambiente de gravação conta com muita iluminação e outras coisas técnicas específicas desta atividade. A reflexão que eu proponho aqui é: eu me sinto bonita sem maquiagem? Posso sair à rua, ir a um evento, ir à igreja, etc, sem maquiagem e me sentir bem? Ou estou condicionada a depender deste recurso para me sentir bem para estar diante das pessoas (ou até mesmo do espelho)?

O que uma mulher aplica sobre a pele está apenas na superfície. Há algo muito mais profundo por trás disto e podemos começar a pensar sobre o assunto.

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