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Karyne Correia

Karyne Correia

Mente Saudável

Os cuidados para se ter uma vida mentalmente saudável.

Assertividade

Somos seres sociais, vivemos rodeados de pessoas desde que nascemos (pelo menos a maioria de nós), mas isso não significa que temos habilidades sociais bem desenvolvidas.

Eu costumo dizer que, em maior ou menos grau, todos nós temos algum déficit em nossas habilidades sociais. Alguns são cordiais, comunicativos, mas têm dificuldade em dizer “não” e lidar com críticas. Outros sofrem por não conseguir expressar o que pensam e o que sentem como gostariam. Há aqueles que quando percebem já falaram mais do que devia e num tom de voz nada amistoso. E os que se sentem constrangidos em contrariar alguém mesmo sabendo que está certo em sua posição. Talvez você tenha se identificado com algum desses perfis.

Vicente Caballo, um dos grandes nomes da psicologia para o estudo das Habilidades Sociais, define o comportamento socialmente habilidoso (ou assertivo) como o “conjunto de comportamentos emitidos por um indivíduo em um contexto interpessoal que expressa os sentimentos, atitudes, desejos, opiniões ou direitos desse indivíduo, de um modo adequado à situação, respeitando esses comportamentos nos demais, e que geralmente resolve os problemas imediatos da situação enquanto minimiza a probabilidade de futuros problemas.”

Perceba que, segundo essa definição, o comportamento assertivo envolve respeito tanto a mim mesmo como ao outro, buscando dessa forma resolver problemas de forma saudável, sem prejudicar o relacionamento.

Você costuma agir de forma assertiva? Podemos resumidamente classificar os comportamentos sociais em três tipos:

Não-assertivo/passivo – quando a pessoa negligencia seus próprios sentimentos, atitudes, opiniões, desejos e direitos, na interação social.

Assertivo – quando a pessoa considera tantos seus próprios sentimentos, atitudes, opiniões, desejos e direitos, quanto os dos outros nas interações sociais.

Agressivo – quando a pessoa desconsidera os sentimentos, atitudes, opiniões, desejos e direitos dos outros em detrimento dos seus.

De forma prática, uma pessoa que se chateia pode fingir que está tudo bem e não expressar ao outro seu sofrimento (comportamento não-assertivo), pode dizer ao outro o que sente sem o agredir (comportamento assertivo), e pode dizer ao outro o que sente sem levar em consideração os sentimentos dessa outra pessoa (comportamento agressivo).

De certa forma, os comportamentos não-assertivo (ou passivo) e agressivo trazem vantagens a curto prazo. Ao “engolir” uma chateação a pessoa evita o confronto com o outro, mantendo, aparentemente a paz. Ao ser agressivo, falando tudo que se pensa, sem levar o outro em consideração, ela mantém, aparentemente, sua autoridade quanto ao assunto (isso é muito comum na relação entre patrão e empregado, ou entre pais e filhos).

Contudo, a longo prazo, isso gera prejuízos tanto para o relacionamento como para a saúde mental de quem não se comporta assertivamente. Sentimento de culpa, baixa autoestima e estresse são apenas alguns dos problemas que costumam estar associados à falta de assertividade.

Por sermos seres sociais, nossa interação social reflete direta e indiretamente em diversas áreas de nossa vida. Não precisamos ficar surpresos por refletir sobre nossa saúde mental. O problema é que, sob o argumento de que “eu sou assim mesmo”, “esse é o meu jeito”, muitos negligenciam o desenvolvimento de habilidades essenciais para um viver saudável.

O respeito próprio e ao outro, que é um elemento central da assertividade, é também um elemento central da saúde mental. Infelizmente, em função do pecado, desenvolvemos muitos déficits quanto ao respeito próprio e, consequentemente, quanto à forma como lidamos com os outros e conosco. Ellen White escreveu que “pela condescendência com o pecado é destruído o respeito próprio; e uma vez ausente este, diminui-se o respeito aos outros;” (Mente, Caráter e Personalidade, Vol. 1, p. 256). Uma vez que não conseguimos nos respeitar, dificilmente respeitaremos alguém. Uma vez que não conseguimos nos respeitar é certo que não teremos saúde nem seremos felizes.

Podemos definir o comportamento assertivo como “a prática do respeito a si e ao próximo”. Isso nada mais é do que a forma de agir que o mundo precisa ver em nós, cristãos!

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