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Felipe Lemos

Felipe Lemos

Realidade em Foco

Fatos e datas analisados sob o ponto de vista bíblico.

Precisamos mais de Deus e menos de nós!

Escrevo depois de verter lágrimas. Ainda mais quando penso em minha filha de apenas 2 anos e 8 meses. O fato é que a foto de um menino sírio chamado Aylan Kurdi, de apenas 3 anos de idade, morto na costa da Turquia, não me deixa impassível. Aliás, está chamando a atenção de muita gente no mundo. Constrangendo e envergonhando.

O garoto, seu irmão e sua mãe morreram depois de um naufrágio de duas embarcações que partiram da cidade turca de Bodrum e tentavam chegar à ilha grega de Kos. Eles faziam parte de um grupo de refugiados.

O assunto tem sido tratado como crise migratória. Eu tomo a licença de abordar o tema sob outros aspectos. É muito maior do que isso. Os números assustam. A Unicef, por exemplo, fala que quase 14 milhões de crianças estão fora da escola por causa de conflitos. Ou seja, crianças, como esse menino sírio, que poderiam estar sendo educadas, com uma perspectiva de futuro promissora, são privadas disso porque adultos querem lutar, querem se destruir, em nome daquilo que eles pensam que justifique: religião, poder, dinheiro ou todos esses elementos combinados.

Eu sei que guerras e conflitos armados entre pessoas sempre existiram. Estão, inclusive, na narrativa bíblica. Mas não posso crer que o ato de o ser humano aniquilar o outro e, no caso das crianças, dar fim ao futuro desses pequenos, seja plano original divino. O ideal do Éden, perdido por conta da entrada do pecado conforme o entendimento de muitos que estudam a Bíblia, era de seres criados à imagem do Senhor que amam a Deus e se amam.

A frase do pai do menino sírio, ao declarar que os filhos tinham escorregado de suas mãos, é contundente e precisa nos fazer pensar.

O que nós, que nos consideramos seres humanos, fazemos com a nossa vida? O episódio da costa turca se repete constantemente de maneira anônima em outras partes do planeta. Sem que eu e você tenhamos conhecimento, enquanto comemos, trabalhamos, passeamos com nossa família ou dormimos, dezenas de pessoas fogem de suas casas e outras tantas morrem no meio do caminho, pois tentam escapar de zonas de combate e morte.

Posso pensar que Deus está no controle de tudo e que nada passa sem que Ele perceba. Logicamente que sim. Confio em promessas, como as que Paulo declarou, em Romanos 8:28, onde é dito que “todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus”. Sinceramente não tenho uma explicação consistente sobre o porquê de duas crianças inocentes morrerem em um naufrágio de um barco de foragidos de guerra.

Só sei que não estou na pele do pai desses meninos. Apenas consigo imaginar a dor que ele está sentindo, mas não tenho uma experiência como essa.

O que vejo é que a morte desse menino e toda a comoção que o assunto provocou não é apenas uma questão de crise migratória. Nada disso.

É uma crise de valores espirituais, de respeito pelo ser humano e, finalmente, uma crise de humanidade.

Crise da humanidade na medida em que os homens estão com profunda dificuldade de enxergar primeiramente quem é Deus e o que Ele deveria representar para nós. E isso se dá por um relacionamento concreto com Ele que é um ser pessoal disposto a nos mostrar o verdadeiro amor.

Consequentemente também não conseguimos enxergar o outro como o próximo, como aquele que merece mais do que respeito, nosso amor.

É isso que faz com que guerras motivadas pelas mais diferentes razões já não pareçam tão cruéis, insanas ou tristes.

Até que…

…a foto de uma criança refugiada síria na beira do mar fez um mundo inteiro se perguntar de novo o porquê de tudo isso.

Mas espero que a pergunta não seja apenas motivo apenas de discursos belos e emocionantes. Espero que seja razão para uma reflexão mais profunda.

A história de refugiados que morrem todos os dias é absolutamente triste. E mais triste ainda será se não compreendermos que as guerras e tudo o que ela causa tem muito a ver com a maneira como encaramos Deus em nossa vida.

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