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Felipe Lemos

Felipe Lemos

Realidade em Foco

Fatos e datas analisados sob o ponto de vista bíblico.

Pedras que falam, oportunidades que se abrem

Mary Magdalene, Mary, & Salom walking up to the bright empty tomb of Jesus Christ early Sunday morning, Showing Golgotha in the background.

Eu lhes digo”, respondeu Ele; “se eles se calarem, as pedras clamarão”. Lucas 19:40.

Esse emblemático texto dito por Jesus é bem profundo e nos leva a refletir sobre a abrangência dos métodos divinos para fazer com que Sua mensagem chegue às pessoas e as desperte para um relacionamento mais próximo com Ele mesmo e Seus ensinos.

Os filmes bíblicos ou de inspiração na Bíblia definitivamente estão no circuito dos grandes lançamentos internacionais e nacionais (no caso do Brasil). Recentemente, muitas pessoas têm assistido ao épico Risen (em português, Ressureição) que, na verdade, é uma releitura da ressurreição de Jesus sob o ponto de vista de um militar romano que vai em busca do Seu corpo.

Mas não quero me deter aqui no conteúdo do filme e, sim, naquilo que pode estar por trás de todo esse movimento de produções cinematográficas com teor religioso, sobretudo interpretações a partir das narrativas bíblicas.

Duas questões, primeiramente, merecem ser pontuadas. A primeira é a de que roteiro de filme é uma coisa, narrativa bíblica é outra. Aliás, vale para qualquer tipo de adaptação/interpretação/releitura de uma obra. Pode até haver elementos em comum presentes nos dois, mas, “a arte cinematográfica constitui um importante espaço cultural onde as filosofias de vida são testadas, o comportamento é exercitado, os valores são questionados, a injustiça é exposta, os medos são confrontados, a história é revisitada e possíveis futuros são imaginados”.[1] Essa é uma boa caracterização dos filmes, ou seja, é algo diferente de uma narrativa bíblica. Ainda mais para cristãos que acreditam na literalidade da Bíblia.

Outro ponto importante é entender que a produção de arte cinematográfica tem muita influência sobre a mente humana como qualquer outro conteúdo artístico, por isso quem define se quer ter algum tipo de influência desse tipo de produção somos nós mesmos. Reclamar do que é produzido é pouco útil. Se não é de nosso interesse estar submetido a esse tipo de conteúdo, basta não consumi-lo e nem recomendá-lo. Ou consumir aquilo que considera edificante, útil e proveitoso para sua vida.

Mas, no caso das produções com viés ou alguma conexão com narrativa bíblica há três aspectos que me chamam a atenção. Esses aspectos estão por trás de todo esse movimento.

 

  • Filmes são criados para entretenimento prioritariamente. Se você quer aprender mais sobre Bíblia, vá à fonte primária. Se você gosta ou não de filmes, entenda que eles dificilmente têm a missão de esgotar determinado assunto e nem de abordá-lo sob todos os ângulos. São produções artísticas, inclusive os inspirados em narrativas bíblicas. Primeira dica que dou é a de seguir o próprio conselho da Bíblia. Quer saber mais sobre o livro sagrado do cristianismo e absorver os benefícios de sua leitura? Leia-o com a sincera vontade de ser uma pessoa diferente. Nas palavras do salmista, “a explicação das tuas palavras ilumina e dá discernimento aos inexperientes”. (Salmos 119:130 – versão NVI). Ou, no verso 147 do mesmo capítulo: “antes do amanhecer me levanto e suplico o teu socorro; na tua palavra coloquei minha esperança” (versão NVI). Nada substitui a busca pela Palavra de Deus, pois, na compreensão do cristianismo bíblico, a Bíblia é mais do que um conjunto de narrativas. É a revelação divina para salvação da humanidade.

 

  • Os filmes com inspiração, motivação ou algum tipo de relação com a     narrativa bíblica podem despertar em muita gente o desejo de saber mais sobre o que viram. Por maiores distorções que existam em diferentes produções  cinematográficas lançadas com esse viés, Deus pode utilizar esse conteúdo para propósitos missionários. É possível que muita gente, que talvez nunca tenha lido a narrativa bíblica ou apresente profunda resistência ao cristianismo e os ensinos propagados pela religião cristã, sinta curiosidade em conhecer o que realmente está por trás disso. Isso não significa, no entanto, que a produção cinematográfica seja uma obra divina. Nada disso. É um instrumento que Deus, com Sua profunda sabedoria e entendimento, tem a possibilidade de utilizar conforme a necessidade. Assim como utiliza outros meios, aparentemente estranhos para o ser humano, para transmitir os princípios do Seu reino. Ele é o dono da missão de salvar o homem.

 

  • Um filme pode emocionar, provocar reflexão ou informar, mas a graça de Cristo vai transformar. É a ação do Espírito Santo na vida humana que possibilite que ele seja diferente e mude seus paradigmas e cosmovisão. Esse é o processo de conversão, algo mais profundo do que a mera compreensão de um conjunto de doutrinas, preceitos ou princípios. Um filme, por mais efeitos que tenha, melhores atores, maior investimento feito, jamais fará isso. Pode arrancar lágrimas, sorrisos, reflexões sobre a vida, etc, mas transformar uma pessoa em outra não. Dois textos me vêm à mente. II Coríntios 5:17, onde diz que somente se estivermos em Cristo seremos novas criaturas e Efésios 2:8 e 9 onde afirma claramente que a graça vem de Deus e aí, então, temos salvação.

Muitos podem se admirar das incríveis maravilhas realizadas na indústria dos filmes atualmente. E ficar admirados, ainda, do interesse por roteiros hollywoodianos ligados à Bíblia ou assuntos religiosos. Mas o mais admirável é saber que a fonte primária para tudo isso é muito mais interessante. Na Bíblia, há roteiros incríveis de histórias que fascinam muito mais porque, para mim, podem transformar vidas e evidenciam, no conjunto, o caráter de um Deus preocupado com Suas criaturas durante toda a história. E mais interessante: já projeta um final esplêndido que produz esperança.

 

[1] TURNER, Steve. Engolidos pela cultural pop: arte, mídia e consumo: uma abordagem cristã. Viçosa, MG: Ultimato, 2014, página 62.

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