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Felipe Lemos

Felipe Lemos

Realidade em Foco

Fatos e datas analisados sob o ponto de vista bíblico.

O sobrenatural ainda atrai muito as pessoas

Pode parecer um pouco estranha essa afirmação, mas é plenamente possível de compreendê-la quando vamos às estatísticas mundiais sobre religiosidade e espiritualidade. Pesquisa da Pew Research Center[1], divulgada em 2015, mostrou que, entre 2007 e 2014, aumentou o número de norte-americanos que se dizem religiosos, mas não ligados a qualquer igreja (o crescimento foi de 16,1% para 22,8%). Ao mesmo tempo, o número de pessoas de chamadas crenças não cristãs também cresceu. Passou de 4,7 para 5,9% no mesmo período pesquisado. E isso ocorreu em paralelo a uma queda de pessoas que se dizem católicas ou evangélicas nos Estados Unidos.

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Mais um dado interessante: conforme dados de 2013 apresentados pelo Centro para Estudos do Cristianismo Global[2], as pessoas que se declaram religiosas no mundo aumentaram, passando de 82% em 1970 para 88% em 2013. O Centro estima que, até 2020, esse percentual chegará a 90%.

Eu comprovei isso há alguns dias. Voltava dos Estados Unidos, quando encontrei uma senhora norte-americana, que também ia para o Brasil. E ela, muito animada, contou-me que já tinha estado pelo menos 25 vezes em nosso país. E sempre pelo mesmo motivo: busca por religiosidade, espiritualidade ou o desejo de ter um contato maior com o sobrenatural. Imagine só! Ela ia até Brasília e de lá tomava uma condução até uma cidade distante 121 quilômetros, localizada no interior de Goiás para estar em contato com um grupo crescente de pessoas que alegam fazer curas espirituais.

Experiências religiosas e oportunidade para igrejas

Sim, ao contrário do que a gente pensa, as pessoas querem ter experiências religiosas ainda nesse mundo dito secularizado e avesso à espiritualidade. Isso não significa necessariamente estar ligado a uma religião, igreja ou denominação no sentido tradicional da palavra.

Eu fiquei pensando e resolvi compartilhar algumas ideias para as igrejas sobre essa oportunidade. Se as pessoas estão mais propensas a ter esse tipo de contato com o sobrenatural (que pode ter vários nomes nas diferentes crenças que existe ou ainda existirão), eis aí algo a se pensar por quem compreende e defende a religiosidade segundo a ótica bíblica.

Vamos lá:

  1. Ótima experiência religiosa – O pastor Samuel Neves, diretor associado de Comunicação da Igreja Adventista mundial, deu uma palestra recente sobre a necessidade de as igrejas promoverem excelentes experiências com as pessoas que as procuram. É mais do que ter conteúdo, mas proporcionar momentos marcantes na vida das pessoas ao terem contato com uma doutrina, um grupo de pessoas cristãs e uma comunidade onde se diz viver o amor. Tudo a ver com a história bíblica de João 1:38 e 39 quando Jesus convida seus primeiros discípulos a O conhecerem mais profundamente, a terem uma experiência real com Ele e não apenas se limitar a ouvir acerca Dele. Essa busca pelo sobrenatural provavelmente tem como pano de fundo uma necessidade do ser humano de se conectar, de maneira experimental, com algo maior do que ele. A Bíblia tem essa experiência para oferecer gratuitamente e as igrejas devem ser canais para isso.
  2. Princípios claros e não flexíveis – A história da senhora norte-americana, que relatei no início do artigo, é um exemplo dessa premissa. Ela segue regras para participar da casa de curas espirituais no Brasil. Viaja milhares de quilômetros anualmente para servir e sabe exatamente que papel ela tem no processo. Ao contrário do senso comum, a religiosidade bíblica tem força justamente quando mostra que está alicerçada em princípios claros, não flexíveis e consistentes. Apesar de o termo espiritualidade talvez levar a pensar que tudo vale desde que seja “bom para a alma”, etc, há nessa busca ao sobrenatural diretrizes que facilitam a conexão com o ser superior. Na Bíblia, que apresenta um Deus pessoal e interessado na salvação humana, um texto é bem interessante a respeito desse tópico. Ali, a vontade de Deus é resumida, em vários trechos, como a lei. O salmista registra, no salmo 119:72, que “a tua lei vale muito mais para mim que toda a riqueza do mundo. Gosto de pensar na tua lei”.[3]
  3. Esperança real – No fim das contas, esse crescente grupo de pessoas mais afeitas à religiosidade e à espiritualidade vai atrás dessas experiências e segue regras e princípios, na maioria das vezes não bíblicos, porque quer uma esperança real para sua vida. Quer alcançar algum tipo de resultado que vai além da nossa realidade aqui. A Bíblia tem isso para oferecer e as igrejas cristãs deveriam aproveitar esse potencial bíblico e não recriar ideias humanistas para satisfazer prazeres temporários dos seus fieis e simpatizantes. Há, na Bíblia, esperança real para quem busca a um Deus misericordioso, perdoador, amigo, próximo, sensível, coerente, amor em essência, capaz de ir até as criaturas desinteressadas para resgatá-las espiritualmente. Esse é o resultado que inconscientemente muitos interessados no mundo sobrenatural querem. Mas, por algumas razões, não encontram mais nas igrejas tradicionais.

Talvez essas pessoas estejam buscando em fontes equivocadas. Sim. Mas talvez estejam batendo às portas das igrejas, contudo encontram apenas um discurso, um esforço retórico e destituído de verdadeiro sentido, de genuíno interesse pela salvação de suas vidas.

Para pensar e agir!

 

[1] Pesquisa disponível em http://www.pewforum.org/2015/05/12/americas-changing-religious-landscape/

[2] Reportagem sobre a pesquisa disponível em http://pt.aleteia.org/2013/07/11/o-mundo-se-torna-mais-religioso/

[3] Bíblia Sagrada – versão na Nova Tradução na Linguagem de Hoje.

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