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Felipe Lemos

Felipe Lemos

Realidade em Foco

Fatos e datas analisados sob o ponto de vista bíblico.

O que fazer para conter a desumanidade?

o-que-fazer-para-conter-desumanidadeSegundo o princípio bíblico e a tradição judaico-cristã, o ser humano não é produto do acaso. Mas foi formado à imagem e semelhança de Deus, o Criador por excelência. De acordo com essa premissa, poderíamos chegar a um conceito de humanidade. Há linhas de pensamento que discordam disso e eu as respeito.

Mas, seguindo essa lógica bíblica (que é a cosmovisão que tenho e pela qual pauto meus artigos), o ser humano é diferente de outros seres vivos. Em tese, sim. Mas, na prática, parece que às vezes se torna menos semelhante a um Criador sobrenatural e superior e ele.

Lembro de episódio recente ocorrido no Brasil (nessa semana divulgado), mas que já chamou a atenção na Índia e em outros países. Um estupro coletivo de uma adolescente de 16 anos no Rio de Janeiro. Violentada ou ao menos atacada por pelo menos 30 homens, grande parte adolescentes e jovens. Uma das frases atribuída à menina sintetiza o episódio: “não dói o útero e sim a alma”. Essa é a expressão da vítima a partir da denominada barbárie, absurdo, fim dos tempos e seja quais forem os demais adjetivos que se queira dar para o crime. Mas uma palavra me veio à mente imediatamente: desumanidade.

Reflita por um momento sobre diferentes episódios ocorridos no mundo, no que diz respeito à forma como os seres humanos lidam com o ambiente ao seu redor e avalie: estamos mais humanos ou menos humanos? Não estou afirmando, mas perguntando. Em vez de me deter na problemática, que é de conhecimento de todos, sugiro algumas reflexões sobre saídas para conter essa desumanidade. Sempre sob o ponto de vista bíblico:

  1. Mais humanidade implica mais ação da divindade – Parece contraditório, mas não é. O ser humano, biblicamente falando, fica mais humano quando permite maior intervenção divina. A identidade humana (quem realmente somos em essência) é estabelecida a partir da crença em um Deus pessoal e que, portanto, age na vida das pessoas. Há um texto bem interessante, registrado no livro do profeta Isaías, capítulo 51 e versos 12 e 13, onde é dito que “Eu, eu mesmo, sou quem a consola. Quem é você para que tema homens mortais, os filhos de homens, que não passam de relva, e para que esqueça o Senhor, aquele que fez você, que estendeu os céus e lançou os alicerces da terra, para que você viva diariamente, constantemente apavorada por causa da ira do opressor, que está inclinado a destruir? Pois onde está a ira do opressor?” (grifos acrescentados). Preciso me enxergar como um mortal dependente de Deus, mas só farei isso se a divindade for considerada superior a mim e capaz de fazer a transformação espiritual da qual necessito. Isso inclui a forma como me relaciona com os outros iguais a mim.
  2. Mais humanidade significa saber que se educa para a vida – Na Bíblia, há uma ideia mais abrangente de educação que não contempla apenas o conhecimento formal obtido para um determinado ofício profissional. Crianças, adolescentes e jovens devem ser ensinados, a partir dessa ótica, a compreender o que significa a vida em sociedade, seus limites como seres humanos, o respeito próprio, o respeito à propriedade, o respeito ao outro, o respeito às diferenças. No livro de Deuteronômio, Deus confirma várias normas e ressalta claramente a lei moral (dez mandamentos) como a base de tudo. E dá o método de ensino para o povo. No capítulo 11 e versículos 18 e 19 desse livro o texto diz o seguinte: Gravem estas minhas palavras no coração e na mente; amarrem-nas como sinal nas mãos e prendam-nas na testa. Ensinem-nas a seus filhos, conversando a respeito delas quando estiverem sentados em casa e quando estiverem andando pelo caminho, quando se deitarem e quando se levantarem” (grifos acrescentados). Educação exige exemplo e conteúdo mais abrangente (princípios de vida). O que os jovens aprendem hoje? Aprendem pelo exemplo dos adultos? Aprendem conceitos de ética e moral ou apenas um jeito de ganhar dinheiro na vida? Que princípios (inclusive espirituais) são passados para eles ou nunca se passa isso e espera-se que aprendam na convivência diária em sua realidade social?
  3. Mais humanidade se consegue com menos individualismo – A sociedade parece nos impelir ao individualismo. Ainda que se propague que o colaboracionismo e a cooperação sejam vitais para a sobrevivência das organizações e dos indivíduos que fazem parte delas. Só que, na prática, cada um é motivado a fazer o que deseja, o que lhe dá prazer, o que vai “no seu coração”, o que sente, etc. Na perspectiva bíblica, o individualismo é nocivo, porque elimina Deus, elimina o outro e só deixa o indivíduo com seu modo de ver, de perceber, de agir. E o produto real do individualismo são ações individuais (e a ideia é ser bem repetitivo com a expressão mesmo!) em que pouco se pensa ou nada se pensa sobre os efeitos para o outro. O outro, que a Bíblia chama de próximo em muitos trechos, simplesmente não tem seu direito respeitado, seu pensamento considerado e nem é encarado como um irmão. O senso de humanidade só cresce quando são praticadas palavras como as de Jesus, que reforçou a ideia do serviço em prol do outro. “Pois quem é maior: o que está à mesa, ou o que serve? Não é o que está à mesa? Mas eu estou entre vocês como quem serve”. (Lucas 22:27) Servir não é algo natural; é algo sobrenatural. Por isso, é essencial a ação divina.

Lamentável o que ocorreu com essa menina e que certamente ocorre em muitos outros lugares e circunstâncias e que nem chegam ao conhecimento público. É a realidade de uma sociedade cada vez menos humana, especialmente no sentido bíblico, e mais desumana. Que insiste em deixar Deus de fora da sua vida pessoal, do seu jeito de ser e consequentemente do seu modo de enxergar e viver a própria vida.

Perigoso para o futuro!

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