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Fábio Bergamo

Fábio Bergamo

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Vinde ver, vá dizer

vinde-ver-va-dizerEm tempos de manifestações e polarização de pensamentos no Brasil, um cenário ganha destaque: as mídias sociais como arena. Tornou-se impossível ficar minutos na rede social sem ver partidários políticos, defensores de ideologias ou até mesmo analistas de temas inócuos fazendo textos enormes para aplicar seus pontos de vista. A linguagem das “indiretas” também povoa o Facebook e o Twitter. Tudo para que os pontos de vistas sejam empurrados, e não discutidos.

O que mais é preocupante, ao meu ver, é a utilização de material extremamente duvidoso para fortalecer um posicionamento nas imensas discussões que somos, às vezes, forçados a acompanhar. Como qualquer um pode escrever qualquer coisa na internet, essa qualquer coisa acaba virando referencial e acaba por ser considerado. Infelizmente a paupérrima educação brasileira, no que tange ao desenvolvimento analítico das crianças e jovens, prejudicou muito a capacidade de percepção do que é verdade, opinião ou simples engodo. A igreja mesmo já se prejudicou muito com isso, o que me motivou até a escrever sobre o tema.

A igreja tem nas suas doutrinas as colunas que sustentam sua fé. No entanto, é fato que discussões sobre pontos destas doutrinas acabam acontecendo. Algumas destas discussões, principalmente no âmbito da teologia, acontecem com intuito de deixá-la mais clara e compreensível. Infelizmente, também existem aquelas discussões que acontecem com o intuito de promover a discórdia e a mera interpretação enviesada (de forma inocente ou propositada).

Enquanto essas discussões estão dentro do nosso seio, nas igrejas, a possibilidade de serem resolvidas por meio do estudo sincero e da discussão sadia é muito grande. O problema é quando se resolve jogar a discussão para a arena das mídias sociais. Quase que escondidas no meio de tantas manifestações político-ideológicas, lá estão elas: as postagens que batem forte nas nossas doutrinas, feitas pelo nosso próprio “povo”.

Fico imaginando o que leva uma pessoa a falar tão mal de sua igreja e de doutrinas dela, em público, para que centenas de pessoas leiam. Também me pego pensando em como há reverberação disso, com comentários, “textões”, compartilhamentos e outras coisas. Por que há essa vontade de denegrir publicamente a imagem institucional de uma igreja que, muitas vezes, a própria pessoa diz congregar e, acima de tudo, amar?

Não tenho resposta pra isso. Talvez seja algo que psicólogos e antropólogos da religião consigam explicar. Fato é que, se somos representantes de Cristo neste planeta, as pessoas o enxergam em nós. Quão arranhada fica nossa identidade de embaixadores do Céu, ao discutirmos publicamente, em mídias sociais sobre nossas doutrinas e problemas? Temos reuniões, treinamentos e fóruns em todos os níveis onde podemos arrazoar sobre os mais diversos temas. Por que temos que ir para o meio da “ágora virtual” de forma inflamada?

Sem dúvida, nossas opiniões parecem repercutir mais quando as colocamos na internet. Outras pessoas veem, se sentem impelidas em estudar mais sobre o tema. É importante utilizarmos tudo que a cibercultura oferece a nosso favor. Mas não deveríamos transformar opiniões em debates eclesiásticos acalorados que, na maioria das vezes, só fazem prejudicar o claro entendimento. Acaba-se dando margens para que uma infinidade de material de procedência duvidosa alimente como gasolina bate-bocas virtuais que há muito deixaram de ser sobre religião.

A mensagem do anjo que estava na tumba vazia, no momento em que as mulheres chegavam para cuidar dos rituais fúnebres de Jesus, parece ser importante também para este momento: “Vinde ver onde Ele jazia. Ide, pois, depressa e dizei aos Seus discípulos” (Mateus 28:6 e 7). Antes do ‘ir dizer’ ao mundo, precisamos ‘vir ver’. É um processo; uma relação de causa-efeito.

O grande pregador H.S.M. Richards disse uma vez: “Para um momento nesse quieto e repousante local de meditação. Temos estado tão ocupados! Você pode ser viajante, executivo, cientista, pai de família. Seja quem você for, necessita aquietar-se e pensar nas coisas celestiais; para tanto, obedeça à voz do anjo e venha ver ‘onde Ele jazia’(…). Esse fato oferece esperança para nós e toda a raça humana”.

Faça este teste consigo mesmo. Você ‘veio ver’ a Cristo, se humilhando, orando e examinando, antes de sair ‘contando’ por aí? Este é o processo: primeiro uma coisa depois a outra. Se somente a última for feita, será apenas uma (infeliz) opinião.

PARA LER, VER E OUVIR MAIS

Texto “Pernas Curtas; Longo Alcance”, publicado nesta coluna –http://noticias.adventistas.org/pt/coluna/fabio-bergamo/pernas-curtas-longo-alcance/

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