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Fábio Bergamo

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Pop cada vez mais pop

Foto: Shutterstock

A cultura Pop é o espelho da nova geração e precisamos aprender com ela

Mês de julho e a cidade americana de San Diego se transforma em Meca. Não pela peregrinação de islâmicos ante sua cidade sagrada, mas, sim, na movimentação de milhões de aficcionados (para não dizer até fanáticos) da cultura pop (ou nerd, ou geek… você escolhe). Neste mês ocorre a Comic-Con, convenção de entretenimento que é considerado o maior evento do gênero no mundo.

Andar na Comic-Con é como se você fosse transportado para um universo paralelo, onde personagens de histórias ganham vida, super-heróis andam lado a lado e atores que interpretam estes personagens são tratados como a encarnação real dos mesmos. A Comic-Con é uma celebração em uma semana do que aconteceu e acontecerá no cenário da cultura pop.

Essa tal cultura pop é arrebatadora para a geração atual. É a demonstração máxima de tudo o que é interessante para este público. E toda a indústria que está por trás do fomento a esta cultura a faz girar de forma primorosa. Como eles conseguem isso?

Gosto de fazer considerações sobre como poderíamos aprender com estes movimentos. Temos uma mensagem vibrante e importante, com membros preparados. Como atingir melhor ainda os membros dessa nova geração? Talvez a cultura pop nos mostre, em seus acertos, algumas possibilidades. Listei algumas características abaixo para que possamos refletir um pouco sobre o tema:

1) Identidade – palavra de ordem: membros da atual geração de jovens gostam de demonstrar a sua identidade a partir de grupos na qual participam. Nada mais visível que a identidade da cultura pop. Ela é demonstrada (orgulhosamente) pelo seu membro onde quer que ele esteja. Como alcançar isso com os jovens da igreja, para que este demonstre de forma altiva sua identidade?

2) A cultura pop valoriza fortemente o senso de pertencimento – eventos como a Comic-Con mostram como essa geração se apega fácil a grupos específicos e gosta de demonstrar seu pertencimento a estes grupos. Há um orgulho em pertencer a um grupo, para eles, tão especial. Como esta vontade de pertencer a grupos é intrínseca a esta geração, não poderíamos criar cada vez mais movimentos que valorizassem o senso de pertencimento a estes grupos especiais?

3) A vontade de “consumir” tudo o que tem a ver com cultura é enorme – o grupo geek/nerd é um dos que mais consomem e gastam dinheiro com tudo o que promove a sua identidade. Consomem e se sentem felizes com isso. Por que as vezes é tão difícil fazer com que se “compre” a ideia de um projeto ou programa na igreja?

4) Os movimentos são sagrados – tudo o que é criado dentro da perspectiva de eventos e programações da cultura pop ganha adesão rapidamente. No exemplo da Comic-Con, os ingressos se esgotam rapidamente, numa tendência que acontece em praticamente todos os movimentos. Outros exemplos não faltam e que poderiam nos ajudar a buscar adesão cada vez maior do nosso público em movimentos da igreja.

A cultura pop atual não é um modelo positivo em sua essência e conteúdo. Mas a forma com que ela é gerida, acompanhada e apresentada nos ensina muito. Como disse anteriormente, a cultura pop é o espelho da geração. Geração que está, inclusive, dentro da igreja, com opiniões fortes e posições se consolidando. Chegou o momento de entender melhor como a cabeça desta geração funciona e construirmos formas de fortalecer sua identidade espiritual, aumentar seu senso de pertencimento e, consequentemente, firmar seus propósitos.

 

PARA LER, OUVIR E VER MAIS

Site oficial da Comic-Con de San Diego – https://www.comic-con.org

Mundo dos Nerds: imagens, consumo e interação – Dissertação de Mestrado de Guilherme Kazuo Lopes Yokote, da Faculdade de Filosofia da USP – http://www.teses.usp.br/teses/disponiveis/8/8134/tde-19052015-133604/publico/2014_GuilhermeKazuoLopesYokote_VOrig.pdf

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