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Fabiana Bertotti

Fabiana Bertotti

Na prática

O cotidiano do comportamento humano sempre com uma visão bíblica.

Desapegue

Aprender a relaxar. Esta é uma habilidade que poucas pessoas têm e eu as admiro. As poucas pessoas, no caso. Achei que era coisa de regionalidade e até reclamei com Deus: cadê minha baianidade? Aos poucos fui me dando conta de que nem todo baiano é lento e preguiçoso, que nem todo paulista é ávido trabalhador e nem os gaúchos são todos intrépidos. Tem mais a ver com a personalidade e esta se manifesta pelo Brasil todo, mundo todo, aliás e aí, é o caso de avaliar os benefícios.

Eu sou do tipo que avalia tudo o tempo todo, uma chatice! Fazer o quê, sou assim. Por algum tempo eu nem tirava férias, sabia? Fiquei alguns anos emendando um ano no outro, orgulhosa de como era boa trabalhadora, incansável servidora! Balela. Acho que gente como eu, tem é medo de ser substituída! Desculpe se o ofendi, caro leitor, estou só falando de mim. É aquela coisa de estar sempre disponível, às custas da própria saúde e sanidade, para não correr o risco do seu superior descobrir que se vira muito melhor sem você. Uma loucura!

No caso das loucuras, é sempre bom ter por perto gente boa… da cabeça. Fui obrigada a tirar férias e descobri como é o doce o far niente! Viciei! Quero os 30 dias todos os anos agora e se achar alguém melhor que eu, bom, sorte sua! Só que daí vem o revés! Você não relaxa o resto do ano achando que terá 30 dias para repor as energias, como dizem por aí, como se fossemos mesmo pilhas recarregáveis que é só botar na tomada. Não somos. Tenho um amigo que fica doente na primeira semana de férias, tão certo como a chuva das 15h em Belém! Daí a família toda precisava esperar o camarada se recuperar para curtir as férias, que no caso dele eram de 15 dias a cada 6 meses, então, imagine o prejuízo!

Ando adepta desta coisa Caymmi de viver mais em paz, menos estressado para que as férias possam chegar sem grandes expectativas, pois todo dia gozei de algo bom que me descansou. É que a gente anda com mania de achar bonito trabalhar feito máquina ou feito gente no período da Revolução Industrial que até dormia dentro das indústrias e só vivia para dar sentido à máquina que geria. São pessoas que se orgulham e mostrar a agenda cheia, falar que virou duas noites nos relatórios, que não sabe o que é o domingo livre há meses e que 14 horas por dia de trabalho é o básico do seu cotidiano. Gente que não tem vergonha de afirmar que não vê o filho acordado, a mulher ao seu lado, o cachorro que late, a vida que parte. Um horror!

E pra que tanto? Nem fica mais rico. Acredite, eu tentei. Não consegue ter amigos, momentos felizes que não seja a tal da meta, descanso para as pernas e o corpo em cima delas. Não desfruta do prazer de fazer nada ao lado de quem se ama, por uma ou duas horas ao dia, ver o sol se pôr, ou nascer, se o caso for. De ler um livro com calma, um alimento pra alma. Este é o último mês do ano e logo suas férias chegam, ou talvez aquela semaninha de festas em que pode desligar um pouco. Nada de mandar e-mail para a turma dizendo: “estou de folga, mas mande e-mail ou ligue que estarei conectado”. Por favor, desconecte-se um pouco do trabalho para descobrir que existe uma vida linda que merece ser vivida. Ah, a sua não é tão linda assim? Aproveite o tempo livre para fazê-la ser, então! Vai por mim, não te acham melhor por trabalhar feito louco. Acham útil, isto sim, e quando deixar de ser, te substituirão por algum com mais tempo de pilha pra gastar. É assim, ué, fazer o quê? Gosta do seu trampo? Então se poupe um pouco mais para tê-lo por mais tempo. Combinado?

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