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Emanuelle Sales

Emanuelle Sales

Imagem & Semelhança

Beleza e vestuário analisados segundo os critérios da Bíblia Sagrada em uma linguagem mais informal.

É mesmo pecado julgar pela imagem?

e-mesmo-pecado-julgar-pela-imagemImagine se depois de comprar ou ganhar um dos meus livros, em tons femininos e arte delicada, você o abrisse e descobrisse que sua temática é mecânica. De repente, aquela expressão clichê de “não julgar o livro pela capa” não é bem como a gente interpretava. “Julgar” parece ser uma expressão tão dura, não é? Mas, como muitas palavras no dicionário, ela pode ser entendida de diversas formas, devendo ser contextualizada com bom senso. Afinal, o que se entende por “julgar”? Presumir, supor, pressupor, imaginar, crer, acreditar, pensar. Ao ver a diagramação de um livro, suas cores, fontes e imagens, o que você presume sobre ele? Muitas coisas, certo? Um profissional a planejou e a criou para que transmitisse uma mensagem. E vou além, afirmando que um trabalho assim revela a idade do seu público-alvo, o objetivo da obra e até o estilo literário do autor. Não se trata de pejorativamente de julgar um livro pela capa, mas, sim, de acreditar que ela expressa, obviamente, seu conteúdo.

Você não vai imaginar que um rapaz vestido com uma camisa do Palmeiras seja um corintiano. Sua camisa não o define, mas revela algo sobre si. Vale refletir: há coerência entre sua exterioridade e sua alma? O povo acha tão importante ornar a bolsa com o sapato, mas faz pouco caso para ornar a roupa com o caráter. No fundo, todos sabem que a vestimenta passa uma forte mensagem sobre o indivíduo, mas poucos admitem isto em voz alta. “Quando a gente gerencia a nossa imagem, estamos cuidando de como os outros irão nos avaliar”, afirma a consultora de etiqueta Romaly de Carvalho. “A roupa é um item importante de comunicação e não damos conta disso”, continua a especialista.

Viajo praticamente todos os finais de semana para dar palestras. Nos voos, sento ao lado das pessoas mais distintas possíveis. A maioria prefere dormir durante as viagens, mas acho que o tempo passa de forma mais agradável quando se bate um bom papo. Acredito que conhecer gente nova nos faz entender melhor o mundo e aprender muito sobre comportamento. Já conheci, nessas ocasiões, desde uma especialista em necropsia até um jogador de futebol. Conheci desde uma assessora de imprensa de uma fábrica de chocolate até um fazendeiro que ama a vida no campo. Conheci desde uma pastora até uma ex-BBB.

A lista é longa e bem interessante. Seja lá qual for a área de atuação, religião, estado civil, classe econômica ou idade, cada um revela um pouco de si através da sua imagem. Aproveito algumas ocasiões para direcionar o assunto e descobrir o que essa diversidade de pessoas pensa sobre aparência. “Eu só uso maquiagem leve e esmaltes de cores naturais”, disse-me uma especialista em comunicação. “Como alguém da área da comunicação, sei que algumas coisas podem passar uma impressão negativa sobre mim, por isso busco ser o mais natural possível”, continuou sem nem saber que eu era cristã e que trabalhava nessa área.

É automático e inevitável tirar algumas conclusões e criar certas suposições sobre quem está ao seu lado sem terem trocado uma palavra sequer. O mesmo acontece quando as pessoas o veem. “O Senhor não vê como o homem: o homem vê a aparência, mas o Senhor vê o coração” (I Samuel 17:7). Só Deus vê o coração, o homem não tem o dom enxergar a alma, por isso o que expomos à humanidade é primeiramente nossa carcaça. A imagem é a primeira linguagem. Este conceito é defendido por especialistas em etiqueta, marketing e psicologia. O objetivo deste texto não é incentivá-lo a praticar a hipocrisia, mostrando uma imagem agradável, porém falsa, sobre si.

Vale lembrar que mudanças exteriores começam no interior, como um milho que só vira pipoca após passar por um processo de aquecimento. O objetivo é que você não confunda as vertentes da palavra “julgar”. É impossível viver sem pressupor ideias, mas Deus nos capacita para vivermos sem apontar o dedo para os outros. Ele nos alerta para não agirmos como juízes — isto nunca foi nossa função, e é um pecado de grande magnitude. “Não julguem, para que vocês não sejam julgados. Pois da mesma forma que julgarem, vocês serão julgados; e a medida que usarem, também será usada para medir vocês” (Mateus 7:1-2).

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