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Diego Barreto

Diego Barreto

O Reino

Vivendo Já o Reino de Deus enquanto Ele ainda não voltou. Um olhar cristão ao mundo contemporâneo.

Série Discípulos: Capítulo 2 – Missão

discipulos-missao-2Recomendo a todos que não leram o capítulo 1 desta série que o façam antes de prosseguir esta leitura.

Aprendemos que conversão é uma completa mudança de paradigma, que questiona as mais profundas bases do pensamento, por mais estabelecidas que sejam para nós. Aprendemos também que esse tipo de conversão só pode acontecer entre pessoas que dividem um mesmo contexto. Somente uma amizade sincera e envolvida com o outro é capaz de mover uma visão de mundo para outra ao apresentar Jesus Cristo. Posso falar de Jesus, explicar Jesus e ensinar sobre Ele, mas só um relacionamento é capaz de exibir como faço isso na prática, como Ele me transformou, como confio nEle além do que digo da boca para fora e etc.

Com isso em mente, podemos então compreender de maneira mais profunda o processo de missão que adentramos quando nos convertemos.

Quando vi que este é um mundo em Guerra e que estamos todos envolvidos irremediavelmente nela, quer estejamos conscientes disto ou não, tudo se moveu de lugar. Quando descobri que eu nasci condenado à morte, mas que Deus por Sua imensa graça proveu o necessário, gratuitamente, para que eu pudesse ser livre dessa condenação… E descobri também que a Guerra já está vencida e caminha para o seu fim, onde seremos verdadeiramente libertos dessa vida afetada pelo mal… Eu decidi de que lado ficaria nessa Guerra. Decidi também que não podia viver os benefícios dessa maravilhosa libertação, sozinho. Eu precisava ajudar a outros a perceberem essas coisas e a receberem a mesma esperança e graça. Não há como ser liberto do mal e permanecer calado sem se tornar cúmplice da maldade. Afinal, “Para que o mau prevaleça, só é preciso que os bons não façam nada” disse Edmund Burke.

É como descobrir água no deserto e não contar aos seus amigos e amados sedentos. Ainda na metáfora da conversão, é andar na direção errada o tempo todo e quando se descobre a direção correta, avisar a todos os outros que o que sempre buscamos, a verdade, o amor, a justiça, a paz, o alívio, a vida, estão para o lado oposto. Não contar aos outros é impossível para quem realmente viu a outra direção. É receber um par de óculos que revela o que estava oculto, e desejar que todos vejam a maravilha que seus olhos agora podem contemplar. Fica impossível também não querer seguir alguém que lhe concedeu esses mesmos óculos reveladores gratuitamente.

Seguir a Cristo é andar Seu caminho, Sua direção, imitar Suas ações, ter Seus pensamentos, abrir sua mente para compreender o que Ele nos ensinou, é espalhar a boa notícia, é trazer o bem para uma realidade má, ainda que isso te custe a sua própria vida.

Os iluminados tornam-se responsáveis pelos que andam nas trevas. A percebidos da verdade são imediatamente tomados por uma questão ética e filosófica que os posiciona como nadadores em um naufrágio. A conversão vem com uma missão. Posso afirmar sem medo de errar, que não existe conversão sem a arrebatadora consciência de uma missão. Quem entende isso de verdade só tem dois caminhos, ou vive com culpa por sua inutilidade no Reino, ou vive na missão do Reino.

Há também os que não se converteram, e continuam se enganando nas fileiras de igrejas cristãs, buscando benefícios para si mesmos e mantendo seus velhos modos de pensar. E podem até se aventurar a fazer “missão” e tentar trazer outros para “sua igreja”. Mas não passam de “guias cegos guiando cegos” (Mateus 15:14), que não conhecem a Cristo, portanto não podem apresentá-lo a ninguém, apenas falam de doutrinas e ensinos que eles muitas vezes nem entendem, ensinam a pensar como eles, e acham que isso é a fé. Ensinam, rodeiam, criam processos, provas de fé, julgam quem pode ou não ser considerado converso, enfim, fazem o que Cristo informa “circundam o mar e a Terra para fazer um prosélito, e quando o fazem, o fazem duas vezes mais filhos do inferno do que eles mesmos” (Mateus 23:15).

Quando se está no Reino de Deus e não vemos mais as coisas como antes entendemos que, nessa guerra, todos nós temos um papel a desempenhar na salvação dos outros. Não há trégua, períodos de descanso, momentos talvez, mas ela não para jamais. Não há tempo para se perder com o que é fútil. Há muitas e muitas pessoas para transformar à imagem de Cristo. Há um mundo a ser conquistado e uma visão de mundo a ser ensinada a outros à medida que eles vejam Cristo em sua vida. Mais do que falar dEle precisamos mostrá-Lo em nossa vida de missão.

Na conversão nasce um novo discípulo, alguém que irá replicar a outros e por outros o que Cristo fez para nós e por nós.

Não posso ser reconhecido apenas como um pastor, um professor, um médico, um pedreiro, um empresário, um engenheiro, um motoboy, uma costureira, um advogado, eu sou muito mais do que isso. Essas coisas eu era quando vivia desapercebido. Hoje eu sou um cristão e eu tenho uma missão. Nada é maior do que isso quando minha visão muda.

Ou então, nada mudou.

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