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Diego Barreto

Diego Barreto

O Reino

Vivendo Já o Reino de Deus enquanto Ele ainda não voltou. Um olhar cristão ao mundo contemporâneo.

Pão e Circo II

Foto: Shutterstock

Série Materialismo #4 (artigo anterior)

Há uma expressão que conhecemos que descreve a maneira de se manipular as massas: “Pão e Circo”. Circo é todo entretenimento que nos anestesia a alma. Como vimos no texto anterior, é muito comum acharmos que isso é algo utilizado no passado, ou em republiquetas do mundo, por ditadores populistas, e qualquer pessoa é suscetível, menos nós. Nos esquecemos facilmente que estamos na mão de um ditador nesta Terra. Que nossos pais, Adão e Eva, perderam este planeta para o tipo mais cruel e sórdido de pecador. É dele que Jesus intenta nos salvar.

Se o homem é capaz de utilizar uma técnica como a do “pão e do circo” para oprimir seus irmãos, muito mais o diabo sabe como nos manipular. Não conheço suas técnicas e nem me interesso por elas, mas acho importante acordarmos para o fato de que todos nós temos recebido nossa dose “necessária” de circo para nos anestesiarmos.

É por isso que o vício desta geração é o entretenimento, de todo tipo, desde ficar checando as mensagens no celular, de pular de aplicativo em aplicativo, de ouvir música o tempo todo, de assistir filmes, séries e vídeos sempre que podemos, de compartilhar com outros aquilo que nos entretém, de jogar games sempre que possível a todas as outras que coisas não pude citar. Com isso, anestesiamos nossa alma. Reduzimos o impacto do tempo em nossas vidas até não senti-lo mais passando. Fugimos do tédio, da reflexão e da solitude ao ponto de nossos cérebros não serem mais capazes de se concentrar em leituras longas ou aprofundar em temas densos (Nicholas Carr). Somos cada vez mais superficiais e incapazes de nos aprofundar em pensamentos espirituais. Até o hábito da oração foi afetado. Quantas vezes você se desconcentra na oração? Quanto cresceu a frequência de uma oração que se desvia para todos os lados ou que até mesmo se esquece de que estava orando?

O que realmente importa?

Perceba, no entanto, que basta um projeto ou trabalho pessoal no qual você está realmente focado, ou por obrigação (como teses, tccs, projetos da empresa) ou por amor que sua dedicação na realização daquele projeto elimina sozinha e automaticamente os vícios de entretenimento. Você sabe que, durante aquele período ou enquanto está concentrado na tarefa, não dá para parar e assistir filmes ou séries, não dá pra gastar horas com games, é o projeto da sua vida, aquilo que você deseja tanto fazer ou precisa tanto fazer que todo o resto é deixado de lado. Esse é aquele momento da vida em que você atrasa todas as séries, é o momento em que não consegue acompanhar todos os filmes do Oscar, nem assistir imediatamente os últimos Blockbusters. Percebeu? Quando o que realmente importa para nós entra em cena, o entretenimento perde seu espaço.

O circo ocupa os espaços vazios, é uma tentativa materialista de preencher nosso vazio pessoal. Ele ocupa o espaço que não foi preenchido e toma cada metro-quadrado de nossa alma. Ele ainda faz mais, toma os lugares ruins, onde tem um problema, uma dificuldade, um erro remoído, uma culpa, uma ansiedade, uma tensão, aquelas coisas que odiamos sentir ele se projeta sobre elas fazendo parecer que elas não existem. Daí sua característica anestésica. Alguém pode dizer: “Que bom que podemos esquecer nossos problemas nos entretendo e rindo um pouco”. Mas se esquece que essas coisas são problemas porque são importantes. O efeito colateral disso é que ao nos esquivarmos para o entretenimento nos desocupamos daquilo que realmente importa. Quanto mais entretidos na diversão (palavra que significa sair da rota, divergir do caminho), menos percebemos as coisas realmente importantes. Tão certo como não devemos estar ocupados o tempo todo, também não podemos estar desocupados o tempo todo. Enfim, o circo é toda solução ilusória e materialista que recorremos para amenizar a vida.

Na Bíblia, encontramos Cristo falando e participando de festas. A fé não é uma responsabilidade pesada apenas, nela há festa e alegria, talvez não tanto quanto desejamos agora, mas mais do que suficiente. A alegria que a fé nos concede acumula para a eternidade, enquanto o entretenimento material é passageiro. Há muitos motivos para sorrir e ser realmente felizes na fé.

A grande festança está prometida para um tempo em que o que mais importa já estará resolvido entre nós. Até lá, cabe lembrar que vivemos em um tempo de guerra e não faz muito sentido passar mais tempo na barraca jogando cartas que salvando seus amigos na batalha ou mesmo enfrentando o adversário. Graças a Deus, há muitos momentos bons na vida e situações em que sentimos alívio e alegria, mas essas coisas não nos tiram da guerra. Então em vez de fugirmos dela, e se nós encontrássemos nela alegria e realização? É possível ser feliz na guerra?

Deixe-me perguntar insistentemente: Quanta alegria cabe no coração de alguém que acabou de ser salvo? Quanto de alegria sentimos quando salvamos alguém? Quanto de alegria é possível sentir se um campo inteiro de refugiados é libertado? Quanto podemos nos alegrar com a vitória sobre uma batalha que parecia perdida? Dá pra ser feliz sabendo que o seu lado da batalha é o vitorioso? Que, portanto, o maior esforço de amor e paz está em trazer quanto mais pessoas for possível para este mesmo lado? Será tão impossível assim ser feliz quando a missão é cumprida? Quando percebemos que nós nos tornamos “fontes a jorrar para a vida eterna” ou quando “não somos mais nós que vivemos, mas Cristo vivendo em nós”? E quando crescemos, deixando de ser quem éramos para nos tornar melhores, sempre melhores? Aprendendo a fazer o que não sabíamos antes como amar, perdoar e doar? Diante dessas questões profundas que tamanho tem o circo para você agora?

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