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Diego Barreto

Diego Barreto

O Reino

Vivendo Já o Reino de Deus enquanto Ele ainda não voltou. Um olhar cristão ao mundo contemporâneo.

O desafio materialista

Que prioridades o homem tem colocado diante de si? (Foto: Shutterstock)

Neste artigo e no próximo, me proponho a questionar nosso mundo em face daquilo que é o Reino de Deus. Me acompanhe nesta série especial sobre o impacto do material em nossas vidas.

 

Precisamos prestar culto a Deus. É uma necessidade diária do homem. Não se trata de ir a Deus somente em dias de culto. Fazer isso é fechar as janelas da alma para aquilo que realmente importa em termos diários e permitir apenas que um lampejo de luz se dê em sua vida em dias raros de culto. E todos nós sabemos que nem todos os dias em que estamos no culto somos realmente alimentados ou temos uma experiência significativa. Às vezes chegamos lá tão cheios das coisas de fora que mesmo estando ali dentro nos encontramos impermeáveis, saturados das obras do dia a dia e não deixamos que a influência boa e transformadora nos toque.

Chegamos tão “tortos” do nosso caminho que nem vamos lá para adorar a Deus, mas para consumir culto. Nos tornamos críticos-consumidores do pastor, pregador, do cantor, do “carinha” dos anúncios, da reverência, da saia da irmã, etc, porque não fomos ali realmente para render nosso culto e nossa adoração ao Senhor dos Senhores. Mas como senhores, estamos ali para sermos servidos da fé.

Enquanto nossos dias forem cheios de “pão” e vazios “de toda palavra que sai da boca de Deus”, estaremos confinados a termos somente o que é material (pão), enquanto desfalecemos de fome daquilo que realmente importa (Deus). Às vezes nos perguntamos porque estamos tão longe de Deus ou porque nos sentimos tão fracos espiritualmente. Comumente, a resposta estará em nosso dia a dia desprovido de Deus e tomado por outras prioridades. A verdade é que deixamos os cultos familiares de lado em nome de um ritmo de vida contemporâneo que atropelou esse hábito saudável. E os cultos devocionais pessoais, então? Foram exterminados do dia a dia.

Acostumados a uma infinidade crescente de informação, essa geração não tem paciência para vídeos longos e sem divertimento. Apaixonados pelo entretenimento, não deixamos espaço para mais nada. Aliás, como recentemente postou um amigo nas redes sociais, “não é que a gente não tenha tempo para estudar a Bíblia e ler bons livros, é que no tempo vago que temos optamos pelo que nos dá o prazer efêmero de que precisamos naquele dia. Então o ciclo se repete até o epitáfio. E vivemos uma vida vazia de significado. E morremos pelo transitório”. Quando não estamos presos no ciclo material, saímos em sua busca para nos aliviarmos.

Prioridades

É por isso que embora haja uma enormidade de sermões na internet, quem os ouvirá? A aversão àquilo que é longo se torna um hábito adquirido e uma barreira para essa geração. A incapacidade cognitiva de se concentrar naquilo que não é risada ou entretenimento por mais de cinco minutos se esvaiu. E mesmo com acesso a tantos cultos, fica a pergunta: convém selecionar do cardápio digital sempre os sermões que EU me interesso ou aguardar em um culto presencial que Deus me diga o que Lhe interessa? Nada contra sermões digitais, sempre os acesso, mas cabe a pergunta para que não nos esqueçamos que não somos consumidores da fé (comedores do pão que eu quero), mas ouvintes “de TODA palavra que sai da boca de Deus”.

Eu percebi em minha própria vida de pastor a carência de me alimentar do Pão do Céu. Eu, que alimento a tantos, posso definhar e morrer de fome se não for, eu mesmo, um prestador de culto diário ao Altíssimo. Se deixar que minha obra pastoral me consuma diariamente acima daquilo que posso receber de Deus, minha falência espiritual será a mesma de todos os que se esquecem de buscar “primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça” (Mt 6:33).

Precisamos buscar a Deus todos os dias. Ele é o “Pão da vida” (João 6). Menciono aqui a minha própria experiência, porque mesmo sendo eu tão comprometido com as coisas de Deus, posso facilmente me pegar fazendo a obra de Deus sem o Deus da obra. Por isso, escrevo esse texto para informá-lo que é uma ilusão achar que se fôssemos religiosos de profissão teríamos o privilégio de trabalhar para Deus o tempo todo. Isso não acontece. O trabalho de Deus se diferencia do seu relacionamento com Ele. Uma coisa não é sinônimo perfeito da outra. O relacionamento com Deus é individual, prioritário e ainda assim um desafio a todos nós, desde o profeta ao mais simples trabalhador do campo, do presidente ao jardineiro, do professor ao aluno, em todas as esferas somos desafiados pela vida a rompermos com o material diante de nossos olhos e nos fixarmos naquilo que não podemos enxergar, mas que, no entanto, pode alimentar nossa alma para a eternidade.

Quando Jesus se coloca no lugar do pão, está nos apresentando um substituto ao óbvio. Tão certo como ninguém vive sem o alimento, ninguém viverá sem o “Pão da Vida”. É Cristo nos lembrando que o pão material não pode fazer com que ninguém escape do pior: “Não é como o caso de vossos pais, que comeram o maná e morreram; quem comer este pão viverá para sempre”. Jesus faz um contraste muito interessante aqui. O Maná foi um pão material que foi enviado do céu, no entanto, não era capaz de trazer vida eterna, como Cristo. Ele foi o verdadeiro pão do céu, materializado na Terra como homem para nos dar mais do que qualquer coisa material pode nos dar: a vida eterna.

Escrevo esse texto para te convidar a olhar a vida cotidiana por uma outra perspectiva. Enxergue além dos muros, das paredes, das construções, da tecnologia, dos sentimentos efêmeros. Enxergue além do sabor da comida mais gostosa, da risada do vídeo mais engraçado, enxergue algo que vale muito mais e está ao nosso alcance. Mas enxergue isso todos os dias. E que Ele seja o primeiro, o “Pão de cada dia”. Esse é o principal desafio e a maior vitória cotidiana. Primeiro Cristo. Todo dia.

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