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Diego Barreto

Diego Barreto

O Reino

Vivendo Já o Reino de Deus enquanto Ele ainda não voltou. Um olhar cristão ao mundo contemporâneo.

Em nome de Deus…

Como seres humanos, todos nós temos impulsos e pensamentos absurdos em alguns momentos pontuais e passageiros. São como falhas de uma mente rápida demais. Imediatamente suprimimos esses pensamentos e seguimos em frente. Em outros momentos, podemos até sair espantados e assustados com aquilo que nossa mente é capaz de produzir em um flash, mas a gente entende que isso é normal e passageiro. A grande maioria de nós jamais contará a outras pessoa alguns desses pensamentos loucos que cruzam nossa cabeça, pois são inomináveis. E seguimos nossa vida normalmente sem nunca jamais realmente cogitar alguma dessas sandices criativas que nos acometem.

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O espantoso é quando o absurdo e o inominável toma forma e existência! Quando o absurdo é oficializado e temos uma palavra com o qual nomeá-lo, uma data para cravá-lo na história, é quando enxergamos que o mal que cruza nossas mente e vez em quando pode se materializar facilmente dadas as devidas circunstâncias. O terror que o mundo tem vivido é uma dessas coisas a qual me refiro.

O que leva o ser humano a ir tão longe? O que é que pode pavimentar um caminho lógico para ações absurdas? O que pode permitir uma mente sem limites e freios levar a cabo uma crueldade que muitos seres humanos teriam dificuldade em arquitetar?

É claro, há muitas respostas e muitas teorias. Todos os olhares lançam suas impressões. E eu não pretendo aqui resolver a questão e nem dar a resposta perfeita. Quero apenas enviar um alerta. Aparentemente óbvio, mas confie em mim, pois sou cristão há tempo suficiente para saber que não é tão óbvio assim.

Permita-me lembrá-lo que nenhum de nós é bom (Romanos 3:10). Somos todos nascidos sob a infecção do mal (Salmos 51:5). A única coisa que nos impede de levar esse mal às últimas consequências são as circunstâncias (Provérbios 30:9). E quando falo circunstâncias me refiro a muitas coisas como o local onde você nasceu, quem foram seus pais, o ambiente que você foi criado, como você foi educado, a religião da sua família, ambiente social, experiências específicas, situações específicas e etc… Não estou dizendo que quem rouba, rouba porque passa fome, pois há muitos que passam fome sem roubar. Estou dizendo que, na natureza, somos igualmente maus. São as escolhas que fazemos, ou seja, os motivos, as justificativas que damos para tomar uma decisão que corroboram essa natureza, ou a contrariam.

“Bem maior

E o título desse artigo revela a mais potente motivação que um ser humano pode encontrar. Também confundida como “o bem maior”, ela pode ser transformadora ou devastadora. Vimos que, em nome de Deus, muito bem foi feito, e podemos citar avanços incríveis que foram realizados em nome de Deus. Mas também podemos citar terríveis acontecimentos levados a cabo pelo mesmo nome. Por exemplo, em nome de Deus já se fizeram escravos, no mesmo nome eles foram libertos. O grande problema é que quando incluímos Deus na nossa equação pessoal de visão de mundo podemos criar um sério problema.

A compreensão de que Deus é absoluto somada à noção de que nossas opiniões pessoais e/ou devaneios são a vontade de Deus confere a nosso argumento, seja ele qual for, autorização infinita, absoluta. Assim, em nome de Deus o indefensável se torna justificável. O absurdo passa a ter motivo de existir. Muitas vezes, mais do que função em um propósito, o absurdo pode se tornar um dever do individuo. Essa compreensão também empodera os atuantes. Eles se sentem mais motivados e mais fortes para agir de maneira cada vez mais ousada. Veja, por exemplo, que o Estado Islâmico comprou briga com os Estados Unidos, a Russia, a França, a Turquia, o Japão, a Inglaterra, a China e etc… Como um movimento regional pode tentar encarar todas as grandes nações da Terra, e de uma vez? Eles estão empoderados a partir da noção de que não só fazem o que entendem ser a vontade de Deus, como estão sendo acompanhados por Ele em sua cruzada.

Paulo passou por isso, em Filipenses 3:6, onde ele explica que em seu “zelo”, ou seja, na busca de preservar sua visão de mundo, em nome de um “bem maior”, no afã de preservar sua fé, defender a Deus, atacar o mundo, ele se tornou perseguidor da igreja. Paulo lutou do lado errado da batalha, tempo suficiente para incorrer em absurdos e violência, em “nome de Deus”. Achando que Deus estava com ele, Paulo foi mais longe que todos os outros e investiu fortemente contra a igreja. Tentou justificar o injustificável do assassinato em nome de Deus. E não pense que você não incorreria no mesmo erro!

Paulo é um dos homens mais inteligentes nas escrituras, e ainda assim, foi enganado por seu próprio “zelo”. Só quando Jesus, em pessoa, aparece para ele que convencê-lo se torna possível, caso contrário, permaneceria cego em sua caçada. Isso pode acontecer facilmente comigo e contigo também. Ninguém pede para ficar cego. Nós acabamos nos cegando com “bons motivos” e, muitas vezes, no próprio “nome de Deus”.

Enfim, percebemos que o problema não está no “nome de Deus”, este é apenas um potencializador, o problema está naquilo que fazemos com o “nome de Deus”. Como podemos torná-lo uma desculpa para nossas próprias agendas de terror, ódio, intolerância, segregação, julgamento, opressão, inveja, calúnia, controle e etc… O problema não é apenas a maldade que temos em nós, mas as desculpas que criamos para elas.

Muitos estão dispostos a criar desculpas perfeitas para a ações equivocadas como, por exemplo, defender a Deus. Eva foi atraída ao pecado e árvore da qual devia se distanciar, porque ouviu uma frase mentirosa da serpente e se prontificou a defender Deus. Os caras mais errados da Bíblia foram precisamente aqueles que tentaram defender a honra de Deus: Bildade, Zofar e Elifaz. No fim do livro de Jó, Deus os repreendeu, enquanto passaram a maior parte do livro tentando defender e justificar a Deus. Será que Deus foi ingrato? Acho que não. Ele estava apenas nos ensinando a não fazer o que fazemos: Justificar nossas visões de mundo com o nome dEle.

Adventistas, cristãos, judeus, muçulmanos, enfim, todos que estiverem lendo este artigo, em nome do Deus criador de todas as coisas e do bom senso não justifiquem suas visões particulares da religião e da vida com o nome de Deus. Deus não precisa de defensores, Sua honra não está em jogo, Sua justiça não depende de agentes humanos, Sua verdade não está sujeita a nós e Seu amor não tem limites como o nosso. Cuidemos todos para que o “zelo” não corrompa as nossas ações. O Reino de Deus não é hostil. Não existe cristianismo de guerrilha, que usa a verdade como ferramenta de maus tratos. Nossas palavras não são para ferir e machucar, nossos atos não são para dividir, julgar e acusar. Nossa postura não é a do confronto, do ódio ou da intolerância. NADA JUSTIFICA ESSAS COISAS. NADA. Nem Deus.

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