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Diego Barreto

Diego Barreto

O Reino

Vivendo Já o Reino de Deus enquanto Ele ainda não voltou. Um olhar cristão ao mundo contemporâneo.

Como viver a vida: simples

Foto: Shutterstock

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O ser humano passa a vida inteira aprendendo a viver. É “uma arte” alguns dizem, e é de fato um desafio comum a todos. Como viver? Nem um ser humano deixa de fazer essa pergunta inúmeras vezes em vida, e poucos são os que encontram a resposta para ela.

O Reino de Deus dá uma resposta.

Em Cristo a encontraremos. Ele, que é o próprio Reino, viveu todo o tempo para fazer a vontade de Deus. Nós temos dificuldade com isso. Queremos ser nossos próprios deuses, dirigir nossos próprios caminhos, conquistar nossas próprias vitórias, gostamos de bater no peito e dizer: “Eu fiz!”. Como os fariseus do tempo de Cristo que “por seus pecados, haviam-se separado de Deus e estavam, em seu orgulho, agindo independentemente dEle” (O Desejado de Todas as Nações, 139, de Ellen White) nós teimamos em nossos orgulhos por uma independência baseada na meritocracia. Jesus era de outro espírito. “Tão plenamente vazio do próprio eu era Jesus, que não elaborava planos para Si mesmo” (idem).

O caminho do homem é seu próprio caminho, mas, no caminho do Reino, Cristo é o caminho (João 14:6). O próprio Jesus nos ensina como faz para viver em João 5:19, há ali uma fala esclarecedora da parte de Jesus: O “Filho por Si mesmo não pode fazer coisa alguma, se o não vir fazer ao Pai”. Esse princípio de Cristo é simples, profundo e claro.

Com isso, Jesus diz que não faz nada que não vê o Seu Pai fazer. É o Pai quem Ele consulta, é o procedimento dEle que Cristo imita, é a visão dEle que Jesus busca enxergar, o Pai é o padrão de entendimento da vida e de procedimentos.

Ele indica que o mundo é interpretado a partir daquilo que Ele vê em Deus. Para Jesus, há uma consulta ao Pai antes de qualquer ação na Terra.

Alguém pode pensar que isso é limitador, e eu não tenho dúvidas de que é. No entanto, para personagens cegos, surdos e perdidos – todos nós nessa existência – sinalização de direção é a melhor benção que podemos possuir. Quantos cegos não irão preferir a limitação de uma condução estrita, quando a estrada é ao lado de um abismo? Porque ainda que eu tenha conhecimento nessa Terra, e acumule méritos, jamais saberei tudo, jamais abarcarei conhecimento completo sobre a vida.

Até porque a vida tem três características que inviabilizam meu domínio sobre ela: É linear, aleatória e ininterrupta. É impossível prever todos os acontecimentos da vida. Nunca sabemos quando um avião vai cair, um raio, uma queda, um acidente, uma boa notícia, ou qualquer outra coisa acontecerá. São muitas variantes e nenhuma equação matemática será capaz de prever tudo, portanto, a vida é aleatória.

A vida para quem vive não para nunca, é constantemente para frente, o seu relógio não pausa. Se você quiser não fazer nada, a vida ainda assim continuará passando. Ninguém pode detê-la, não há trégua, nem impedimento, seu tempo é ininterrupto. Embora a vida possa ser interrompida pela morte, a “vida” em si corre como um rio sem fim, sem jamais fazer qualquer parada. Quem está vivo, não para, mesmo que tente, o corpo fica imóvel (aparentemente), mas está em constante movimento e avanço no tempo.

Portanto, a própria vida exige que eu tome decisões todo o tempo, mesmo sem ter todas as informações necessárias, mesmo sem entregar todo o conhecimento para lidar com ela, mesmo com a impossibilidade de prever o futuro (porque ele ainda não existe e é criado por uma combinação infinita de variáveis), a vida exige de mim que eu continue “indo”. A linearidade da vida é sempre progressiva, o que foi feito está irremediavelmente feito e habita o passado intocável, a única coisa que temos por controle é o agora. Por essas razões, “limitar-se” a seguir as ações de Deus é na verdade, libertação do puro acaso, é dar o tiro certo.

Jesus está dizendo que, sem conhecimento de Deus, não há atitude ou tomada de ação. Que a procura pelo Pai precede a busca do conhecimento humano, da razão e da experiência. Ele está dizendo que o mundo se descortina a partir daquilo que aprendemos em Deus. Eu só saio para explorar o mundo depois que já explorei o mundo de Deus. Esta é a norma do meu pensamento, eu não procuro o mundo e depois procuro o Senhor, é o contrário, é de Deus para o mundo.

Uma fé que vai do material para o espiritual normalmente é carnal, falsa e pagã. Essa ordem de coisas faz com que minhas necessidades existam primeiro que meu desejo de servir e adorar a Deus. Por isso, por esse ponto de vista, eu procuro a Deus para que Ele me sacie, me responda, me cure, me dê lucros, me abençoe, me eleve… O “eu” vem primeiro nessa equação. É tentar arrastar um Deus que é Espírito para uma realidade material. A vida de Cristo e a proposta do Reino é que do mundo espiritual saíamos com a visão correta da vida material. Na prioridade do pensamento cristão o Espírito sobrepõe a carne. É por isso que Cristo ensina: “Buscai primeiro o Reino de Deus e a Sua justiça, e todas as outras COISAS vos serão acrescentadas” (Mateus 6:33). Repare que o Reino e a justiça são espirituais, mas “coisas” são materiais.

Deus age

Então como se vive? Agindo como Deus age.

Jesus não ousava ter planos para Si mesmo. Ser cristão é entender esse nível de existência.

Alguns, por outro lado, apelam para esse conceito e não tomam mais decisões, colocam tudo na conta de Deus. Entenda bem, não é isso que Jesus promove. Não é deixar de decidir permitindo um microgerenciamento da vida pelo divino e tirando nossa responsabilidade de escolher. Não! É decidir sempre buscar e imitar o Pai.  “Fazer apenas aquilo que se viu o Pai fazer”. Diante de uma decisão da vida, eu escolho baseado naquilo que vi do meu Deus. Isso é liberdade, não uma liberdade irresponsável, mas dirigida pelo que é bom e amor, Deus.

Ainda assim, é minha escolha. Essa é uma decisão responsável e exigente da minha parte. Não é fácil optar por isso sempre, meu EU fala muito alto e está o tempo todo tentando me sabotar. Decidir por buscar a Deus primeiro, como padrão de nossa visão e ação é a decisão pessoal, individual, mais importante que posso tomar. Minha decisão.

Imagine que sua vida fosse um sorteio diário (aleatório, como de fato é); todo dia você acorda e tem de escolher entre cinco portas para sair de casa. Uma é a porta correta, as outras são portas que farão do seu dia uma miséria inútil. As vezes o caminho para uma porta é florido, as vezes está cheio de lama, as vezes tem espinhos, as vezes tem abismos para serem superados, mas de qualquer maneira, nunca se sabe se a porta das flores é a porta certa, ou a dos espinhos.

A decisão é sua, ninguém pode toma-la por você, mas trata-se de um sorteio, não sabemos o que tem do outro lado de cada porta. Todo dia é a mesma coisa, mas as condições do caminho e o que está por trás de cada porta muda sempre. Entretanto, existe um número telefônico que quando discado te informa sem erros qual a porta correta. Você discaria esse número? Consultaria ele antes de tomar uma decisão? E depois que acertasse a porta certa por causa do telefonema, você teria coragem de acordar nos próximos dias e arriscar a porta certa sem consultar o telefone? Faz sentido arriscar com a resposta ao alcance?

Por tudo isso, a vida boa (não a boa vida) é aquela que está no caminho certo, é a que permite, inclusive, que Deus a planeje. É aquela que todos os dias busca a Deus e suas ações para que o mundo seja descortinado pelo Seu paradigma. Que enfrenta o mundo e sua aleatoriedade confiando que fazer o que Deus faz é sempre melhor, mesmo que não pareça. É uma vida simples, porque se resume em um único padrão, fazer o que Deus faz.

“Tão plenamente vazio do próprio eu era Jesus, que não elaborava planos para Si mesmo. Aceitava os que Deus fazia a Seu respeito, e o Pai os desdobrava dia a dia. Assim devemos nós confiar em Deus, para que nossa vida seja uma simples operação de Sua vontade” (O Desejado de Todas as Nações, 139, Ellen White). Essa é a simplicidade.

 

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