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Carlos Nunes

Carlos Nunes

Ética Prática

Assuntos relacionados à ética sob o ponto de vista cristão e os dilemas enfrentados pelas pessoas no seu cotidiano.

Mandela e o Cristianismo

Tido como grande líder humanista que atravessou os últimos dois séculos, Nelson
Mandela descansou… E como sempre acontece, sua memória está sendo incensada nas redes
sociais e nos sites noticiosos pelo mundo afora. Neste caso, nada mais justo! Um homem é o
que sua trajetória revela e, esse homem, deixa um legado acima das mais altas expectativas
em um mundo em que valores e princípios cada dia são mais escassos.

Algumas pessoas que eu e você conhecemos são assim, acima das expectativas. Tomo
o exemplo de Mandela para ponderar que algumas personalidades bem poderiam ser líderes à
frente da Cristandade. Pessoas cuja estirpe, temperamento, valores, educação, civismo,
humanismo e legado seriam mais do que bem-vindos no seio da religião fundada por Jesus
Cristo. Especialmente se considerarmos que em alguns arraiais essas virtudes têm sido nossa
maior carência e necessidade.

Costumo dizer que a grande lei bíblica não é a Lei dos 10 Mandamentos, embora tão
crucialmente importante e ainda vigente. Não retiro seu lugar, antes a exalto, parafraseando o
apóstolo Paulo. Todavia considero a grande lei do evangelho aquela tão premente em nossos
dias. A chamada Lei da Reciprocidade. Ei-la, em palavras mais simples: Faça aos outros o que
você gostaria que os outros fizessem a você mesmo.

Ética, na prática, é isso, penso eu. Na esteira do descanso de Mandela, li algo que
acredito resumir o ideal de serviço de um homem, seja ele quem for. Compartilho: “Para servir
é necessário sair da zona de conforto, isto é, fazer o indesejado, dedicar tempo para tarefas
pouco atraentes, assumir responsabilidades desprezadas pela maioria, fazer “o trabalho sujo”,
enfim fazer o que ninguém gosta de fazer. Para servir é necessário vencer o orgulho, isto é, se
dispor a ser tratado como escravo, ter os direitos negligenciados, ser desprestigiado, sofrer
injustiças, conviver com quase nenhum reconhecimento, enfim, não se deixar diminuir pela
maneira como as pessoas tratam os que consideram em posição inferior.

Para servir é necessário abrir mão dos próprios interesses, isto é, pensar no outro em
primeiro lugar, ocupar-se mais em dar do que em receber, calar primeiro, perdoar sempre,
sempre pedir perdão, enfim, fazer o possível para que os outros sejam beneficiados ainda que
à custa de prejuízos e danos pessoais.

Não é por menos que em qualquer sociedade humana existem mais clientes do que
servos. Servir não é privilégio de muitos. Servir é para gente grande. Servir é para gente que
conhece a si mesma, e está segura de sua identidade, a tal ponto que nada nem ninguém o
diminui. Servir é para gente que conhece o coração das gentes, de tal maneira que nada nem
ninguém causam decepção suficiente para que o serviço seja abandonado.

Servir é para quem conhece o amor, de tal maneira que desconhece preço elevado
demais para que possa continuar servindo. Servir é para quem conhece o fim a que se pode
chegar servindo e amando, de tal maneira que não é motivado pelo reconhecimento, a
gratidão ou a recompensa, mas pelo próprio privilégio de servir. Servir é para pouca gente.

Servir é para gente parecida com Jesus.”
Em um mundo onde as relações humanas estão corrosivas e se corroendo à custa de
falsos moralismos e outros ismos, o exemplo desse líder que descansou ressoa como
retumbante. Um serviço altruísta, como seria bom vê-lo aparecendo… “Um reavivamento da
verdadeira piedade entre nós, eis a maior e a mais urgente de todas as nossas necessidades”,
declarou a escritora cristã Ellen White. Mandela serviu! Que seu exemplo inspire a Cristandade
no serviço ao semelhante! Finalizo com uma de suas célebres frases: “A morte é inevitável.

Quando um homem faz o que considera seu dever para com seu povo e seu país, pode
descansar em paz”.

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