Notícias Adventistas

Carlos Nunes

Carlos Nunes

Ética Prática

Assuntos relacionados à ética sob o ponto de vista cristão e os dilemas enfrentados pelas pessoas no seu cotidiano.

A igreja, o ministério e os crentes: uma empresa espiritual (2)

Igreja Adventista do Sétimo Dia

Como dito no artigo do mês passado, a Igreja não é uma empresa! E vive o dilema moderno de ajustar o modelo de Cristo com o gerenciamento de recursos humanos para cumprir a missão. Essa é a grande questão do momento! Há um norte. Existe um modelo ideal, e este precisa ser seguido. Não cabe, aqui, reinventar a roda. Ela é a mesma desde que o mundo é mundo… Mas, se o modelo é o mesmo e continua eficaz, como fazer para identificar uma solução que nos reaproxime do ideal divino? Cortar pela raiz e aparar todas as arestas? Pareceria um bom percurso, não fosse um caminho que implicasse em perdas espirituais que vão desde o âmbito individual (colaboradores alijados da “empresa”) até o âmbito coletivo (uma empresa debilitada em sua saúde). E não foi o sócio majoritário quem declarou que era atribuição exclusiva sua separar o joio do trigo? E será que esses casos já representam o “joio” profético?

Colaboradores bem ou mal preparados, admitidos ainda verdes ou não, problemáticos ou não, o que tem sido diagnosticado é que “a maioria das igrejas está espiritualmente estagnada e diminuindo numericamente. E esse declínio acontece durante um aumento da população. A igreja, como um todo, está fazendo cada vez mais. Mas essa mesma igreja, como um todo, está fazendo cada vez menos diferença. A complexidade da igreja está saindo muito caro. Este custo vai além do tempo e dinheiro. O Reino não está se expandindo. Vidas não estão sendo mudadas. A transformação não está acontecendo. As igrejas não estão crescendo”, é o que dizem os autores do livro Igreja Simples. (grifo nosso)

Ainda segundo Thom Rainer e Eric Geiner, autores do livro Igreja Simples, “Deus está dizendo: Se eu não posso ter o seu melhor, o melhor de você, por favor, não me traga nada. De acordo com o sistema de Deus, alguma coisa não é melhor do que nada”. Segundo os autores, as pessoas estão ocupadas. Elas continuam a seguir todos os rituais do culto a Deus. Continuam indo à igreja toda semana sem empolgação ou intenção. Estão apenas cumprindo os rituais.

O sistema é falho em si mesmo ou são as pessoas que o tornam falho? Essa não é uma questão correta. É um falso dilema! E isso porque o sistema é feito de pessoas. São elas que movimentam as suas engrenagens. Sem as pessoas, não existe sistema!

Há muitos “colaboradores” considerados alinhados e corretos que apenas cumprem expediente, mas cuja eficácia em termos reais pouco ou nada significa para o processo de crescimento da “empresa”. Ao passo que outros “colaboradores” realmente desalinhados da convenção ou do chamado status quo religioso se mostram ferramentas mais eficazes do que os colaboradores “politicamente corretos”. E quem se atreve a administrar a empresa com mão-de-obra não-padronizada em detrimento do grupo de “colaboradores politicamente corretos”? Essa é uma causa difícil de advogar. O que não quer dizer impossível!

Gayle D. Erwin já diagnosticara o quadro: “Se nossas vidas individuais devem refletir a natureza de Jesus, então as estruturas que como indivíduos formamos (nossas organizações, nossas denominações) são uma categoria em exceção. Alguns anos depois de sua fundação, quase todos os grupos religiosos começam a assumir as características das corporações comerciais”. Nas palavras de Amin Rodor, autor do livro O incomparável Jesus Cristo: “Tem havido entre papas, bispos, prelados e, mais recentemente, líderes protestantes, a mentalidade de “gestores” e “executivos” eclesiásticos, que agem como se a Igreja fosse uma empresa, uma cópia das corporações comerciais, que se erguem como testemunhas vivas do triunfo da forma sobre a essência”.

“A igreja não é uma central de serviços e produtos religiosos, na qual as pessoas pagam uma taxa e recebem em troca um bem qualquer. A igreja não é uma organização que avalia seu grupo demográfico para descobrir qual a demanda do mercado em determinado momento, para em seguida ajustar sua estratégia e atender a um nicho consumidor especial”, afirmam Rob Bell e Don Golden. “O caminho de Jesus aponta para baixo. Diz respeito à morte. É nossa disposição de nos juntarmos ao mundo em seu sofrimento, nossa participação no novo homem, nossa fraqueza conclamando outros em sua fraqueza”.

 

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