Notícias Adventistas

Ana Paula Ramos

Ana Paula Ramos

Missão e Voluntariado

Até onde vão pessoas que se colocam nas mãos de Deus para servir na missão de pregar o evangelho.

O verdadeiro muçulmano

Estima-se que atualmente existam um bilhão e meio de muçulmanos, ou seja, cerca de ¼ da população mundial.

Estima-se que atualmente existam um bilhão e meio de muçulmanos, ou seja, cerca de ¼ da população mundial.

Você pode estar imaginando que este artigo foi escrito justamente porque o mundo todo está falando sobre o ataque terrorista que ocorreu em Paris e que deixou mais de cem mortos, no dia 13 de novembro. Digamos que você está certo e errado ao mesmo tempo.

Esse artigo já tinha sido rascunhado há mais de um mês, esperando a data de fechamento nessa semana. A triste notícia do ataque na França ainda choca e nos faz refletir um pouco mais sobre o assunto.

As cenas que vimos nesse final de semana, geralmente são as que a mídia apresenta sobre os muçulmanos. Entre razões talvez menos importantes e polêmicas, é fato que os índices de audiência pautam as redações no mundo inteiro, e as tragédias são as que fazem veículos e emissoras chegarem ao topo deles.

Morei por um ano e meio entre muçulmanos. Nossa escola era basicamente a única comunidade cristã em Gabal Asfar, periferia da Grande Cairo, no Egito. Ao saber que viveríamos lá, eu e meu esposo começamos a ler mais sobre esse povo, suas crenças e seus costumes.

As leituras continuaram por todo o período que estivemos lá, mas não é possível mensurar o quanto aprendemos ao viver entre eles; ao conhecer e ter a oportunidade de fazer parte de alguma forma da vida deles – de famílias simples, em áreas ocupadas sem auxílio do governo, a líderes religiosos, profissionais e empresários bem-sucedidos.

Os muros da nossa escola em Gabal Asfar são circundados por cinco autofalantes e mesquitas voltadas para dentro das cercanias da instituição e não para a comunidade, para sermos lembrados constantemente de onde estamos.

A maioria dos muçulmanos vive em busca de paz e felicidade. A maioria deles, tem sonhos, desejos nobres e quer construir uma vida digna. Essa mesma maioria não concorda e não apoia os extremistas. O governo egípcio tem atacado duramente qualquer ação terrorista naquele país (a sua maneira), e os jovens, principalmente, têm consciência de que eles não querem viver a realidade de países como a Síria e o Iraque, em guerra.

Você sabia que os radicais muçulmanos são grupos que representam menos de 20% de todos os seguidores dessa religião no mundo? Estima-se que atualmente existam um bilhão e meio de muçulmanos, ou seja, cerca de ¼ da população mundial. Há milhões e milhões de pessoas espalhadas pelo mundo que seguem com sinceridade essa que é a religião de seus antepassados, buscando uma vida mais próxima de Deus e lamentam serem vistos como terroristas.

No período em que estivemos lá, buscamos todas as oportunidades possíveis de conviver e estar perto dessa comunidade. Muitas pessoas não sabiam sequer o que acontecia ou existia dos portões para dentro da pequena escola que completou 60 anos no local em 2014. Uma coisa eles sabiam, aquele local pertencia a cristãos. Alguns achavam que era um jardim, como se referiam ao NUA – Nile Union Academy, outros uma pequena fazenda e outros simplesmente passavam em frente e se perguntavam o que seria aquele lugar.

Durante um ano e meio, cinco grupos de voluntários passaram pelo NUA, três deles eram brasileiros. Entre os projetos, várias reformas na escola em condições precárias de funcionamento, mas o mais importante foram as ações comunitárias – feiras de saúde, atividades educativas para as crianças, atendimento médico e odontológico aos que viviam do portão para fora da escola e responderam com extrema gratidão a cada uma das ações pensadas para eles.

Os gestos não esperados, as pessoas que os receberam com sorrisos e braços abertos geraram um movimento jamais sentido e visto ali. Cristãos adventistas egípcios enxergando muçulmanos de uma forma como jamais haviam enxergado ou interagido com eles; muçulmanos egípcios ouvindo orientações, recebendo atenção, orientação e atendimento, como jamais haviam recebido naquela comunidade.

Entre palavras de agradecimentos infindáveis, convites para almoços e jantares em seus lares, ouvimos de pessoas que vivem em sinceridade com sua fé nesses dias por lá: “Vocês são os verdadeiros muçulmanos!” Haveria afirmação mais profunda que essa conhecendo a realidade daquele povo? Os verdadeiros muçulmanos para aquelas pessoas são aqueles que vivem o que Deus pediu para vivermos nessa terra, sendo fonte de amor e de bem, de forma prática e real. De alguma forma alguns deles conseguiram enxergar em nós esse Deus a quem seguimos e aguardamos.

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