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Adolfo Suárez

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Muito além do ensino

Reflexões sobre aspectos da vida diária a partir da Teologia, Educação e Ciências da Religião

Quem é Jesus Cristo?

Foto: Shutterstock

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Jesus Cristo é uma pessoa fascinante, tanto por sua personalidade, quanto por Seu caráter e obras. Mas, será que, de fato, Ele existiu? Ou é apenas um produto da imaginação e do sentimentalismo piedoso, e não dos registros históricos? O que a Bíblia fala sobre Ele? Como devemos aceitá-lo em nossa vida?

A historicidade de Cristo: ele esteve entre nós!

Há diversos documentos extra-bíblicos antigos, os quais atestam a historicidade de Jesus Cristo.[1] Plínio, o Jovem, foi um dos maiores escritores de cartas do mundo antigo, as quais alcançaram a condição de clássicos literários. Há uma carta de Plínio ao imperador Trajano sobre os cristãos da sua província; foi escrita cerca de 112 d.C., enquanto Plínio era governador da Bítínia na Ásia Menor. Essa carta dá informações sobre o cristianismo primitivo de um ponto de vista não cristão. Eis alguns trechos dela:

É uma regra, senhor, que eu observo invariavelmente, dirigir-me ao senhor em todas as minhas dúvidas. Pois, quem é capaz de guiar minha incerteza ou informar minha ignorância? Jamais tenho estado em quaisquer julgamentos de cristãos, desconheço o método e os limites a serem observados, quer em examina-los ou puni-los, quer alguma diferença deva ser feita em vista da idade, ou nenhuma distinção permitida entre o mais jovem e o adulto; quer o arrependimento leve ao perdão, ou se no caso de alguém já ter sido cristão, de nada vale retratar-se; se a simples confissão de cristianismo, embora crimes não tenham sido cometidos, ou apenas as acusações associadas a ela são passíveis de punição — em todos esses pontos me encontro em considerável perplexidade…

…Os que negaram ser ou terem jamais sido cristãos, e que repetiram comigo uma invocação aos deuses, oferecendo adoração formal com libação e incenso diante da vossa estátua que eu ordenara fosse levada ao tribunal com esse propósito, juntamente com as dos deuses, e que finalmente amaldiçoaram Cristo — nenhum desses atos, segundo se diz, os que são realmente cristãos podem ser forçados a praticar — esses julguei, então, apropriado libertar. Outros que foram nomeados pelo informante anônimo, a princípio se confessaram cristãos, e depois negaram. É verdade que afirmam ter participado dessa seita, mas a tinham deixado, alguns há três anos, outros há muitos anos, e uns poucos já há vinte e cinco anos. Todos eles adoraram a vossa estátua e as imagens dos deuses e amaldiçoaram Cristo.

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O historiador Tácito é considerado confiável, um homem em quem a sensibilidade e a imaginação não poderiam prejudicar o senso crítico e a honestidade documental. Tácito se tornou senador no reinado de Vespasiano; posteriormente ocupou o cargo de cônsul, procônsul e governador. Além disso, foi orador respeitado e amigo íntimo de Plínio, o Jovem. Escrevendo em cerca de 116 d.C., o historiador descreve a reação do imperador Nero ao grande incêndio que varreu Roma em 64 d.C. Circulava um rumor persistente de que o próprio Nero era o incendiário e ele teve, então, de agir, a fim de interromper a história. Tácito fala dos atos de Nero para impedir que o rumor se espalhasse:

“…Nem a ajuda humana, nem a munificência [generosidade] imperial, nem todos os meios de aplacar os céus puderam sufocar o escândalo ou dispensar a crença de que o incêndio fora provocado a mando de alguém. Por conseguinte, Nero, para se livrar dos rumores, acusou de crime e castigou com torturas exageradas aquelas pessoas, odiosas por causa de práticas vergonhosas, a quem o vulgo chama cristãos. Cristo, autor desse nome, foi castigado pelo procurador Pôncio Pilatos, no reinado de Tibério…”.

Em aproximadamente 50 d.C., o apóstolo Paulo chegou a Corinto. Atos 18:2 registra que “lá, encontrou certo judeu chamado Áquila, natural do Ponto, recentemente chegado da Itália, com Priscila, sua mulher, em vista de ter Cláudio decretado que todos os judeus se retirassem de Roma”. De modo interessante, Suetônio, outro historiador romano e cronista da Casa Imperial, escreveu em 120 d.C. aproximadamente, o que lembra o texto de Atos: “Desde que os judeus estavam promovendo distúrbios constantes por instigação de Chrestus, eles os expulsou de Roma”.

Existem várias pistas indicando que Chrestus era provavelmente Cristo (grego “Christus”), soletrado erradamente. Primeiro, Chrestus é um nome grego. Segundo, Chrestus deveria ter um som muito semelhante a Cristo; o qual, com o seu significado de ungido seria pouco familiar no mundo gentio, de modo que a substituição pelo nome grego familiar Chrestus não teria dificuldade em ser feita.

Ao escrever por volta de 170 d.C., o satirista grego Luciano de Samosata mencionou os primeiros cristãos e seu “legislador”. A natureza hostil do seu testemunho torna-o ainda mais valioso: “Os cristãos, como todos sabem, adoram um homem até hoje — o distinto personagem que iniciou seus novos rituais — e foi crucificado por causa disso… Vejam bem, essas criaturas mal orientadas começam com a convicção geral de que são imortais para sempre, o que explica o desprezo pela morte e a dedicação voluntária de si mesmos, tão comuns entre eles. Foi também impresso sobre eles, pelo seu legislador original, que são todos irmãos, a partir do momento em que são convertidos; e negam os reis da Grécia, adoram o sábio crucificado, e vivem segundo as suas leis. Tudo isto eles aceitam pela fé, com o resultado de desprezarem todos os bens materiais, considerando-os simplesmente como propriedade comum”.

Entendemos que os escritores acima mencionados não teriam nenhuma razão de fé ou religiosa para testemunhar a historicidade de Cristo. O testemunho deles, portanto, é imparcial e muito importante, legitimando a historicidade de Jesus Cristo a partir de documentos não bíblicos.

Jesus Cristo nos EVANGELHOS: as quatro faces do messias

Certamente a Bíblia é o melhor documento para compreender quem é Jesus Cristo. Especificamente, os quatro evangelhos descrevem quatro faces diferentes dEle.[2] O evangelho de Mateus apresenta Jesus como o Messias, o Salvador que Deus havia prometido enviar ao mundo. Marcos, considerado o mais antigo dos quatro evangelhos, anuncia a boa nova a respeito de Jesus Cristo, com especial atenção à Sua constante atividade e à Sua autoridade. Lucas, por sua vez, apresenta Jesus não apenas como o Messias prometido por Deus, mas também como o Salvador de toda a humanidade. Finalmente, João apresenta-O como a Palavra de Deus que existiu desde a eternidade com Deus; para João, Jesus Cristo é o Deus do AT, que, por amor, veio à terra para estar ao nosso lado a fim de salvar-nos de nosso pecado.

OS OFÍCIOS DE JESUS CRISTO: o que ele fez e faz em nosso favor

No judaísmo, os ofícios do profeta, do sacerdote e do rei eram de caráter único; a Bíblia os relaciona à pessoa de Jesus Cristo, para descrever Seus ofícios aqui na Terra e diante do Pai.[3]

Cristo Profeta

Deus revelou a Moisés o ofício profético de Cristo: “Suscitar-lhes-ei um profeta do meio de seus irmãos, semelhante a ti, em cuja boca porei as minhas palavras, e Ele lhes falará tudo o que Eu lhes ordenar” (Deuteronômio 18:18). Os contemporâneos de Cristo reconheceram que nEle se cumpriu esta profecia (João 6:14; 7:40; Atos 3: 22 e 23). Além disso, Jesus referiu-Se a Si próprio como “profeta” (Lucas 13:33) e revelou o futuro (Mateus 24:1-51; Lucas 19:41-44).

Cristo Sacerdote

Um juramento divino estabelecera firmemente o sacerdócio do Messias. “O Senhor jurou e não se arrependerá: ‘Tu és sacerdote para sempre, segundo a ordem de Melquisedeque (Salmos 110:4). Cristo não era descendente de Arão. À semelhança de Melquisedeque, Seu direito ao sacerdócio advinha da indicação divina’” (Hebreus 5:6 e 10). Seu sacerdócio mediador constitui-se de duas fases: uma terrestre e outra celestial. Como sacerdote terrestre, Cristo tornou-se o elo entre Deus e o ser humano, assim como foi o Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo (2 Coríntios 5:21; 1 João 1:7; 1 Coríntios 15:3). Então, durante seu ministério terrestre, Cristo foi tanto o sacerdote como a oferta. Como sacerdote celestial, intercede em favor da humanidade desde Sua ascensão. (Hebreus 7:25; Romanos 8:34; João 16:23).

Cristo Rei

Deus estabeleceu nos Céus “o Seu trono, e o Seu reino domina sobre tudo” (Salmo 103:19). É evidente que o Filho de Deus, como integrante da Divindade, compartilha do governo de todo o Universo (Salmo 2:6 e 7; Hebreus 1:5; Lucas 1:33).

A PESSOA DE CRISTO: sua divindade e humanidade[4]

Jesus era uma pessoa especial. Nunca existiu, nem existirá, outra pessoa igual a Ele. A palavra grega monogenês (unigênito), aplicada a Cristo no Novo Testamento mostra que Ele era único da Sua espécie. Por que? Além de não ter pecado e ser o Salvador era, ao mesmo tempo, divino e humano; ou seja, 100% Deus e 100% homem. É difícil explicar como o Deus infinito e o ser humano finito podem se unir em uma só pessoa, mas, após muita discussão, os principais teólogos cristãos chegaram ao consenso, no século V, de que Cristo é uma pessoa com duas naturezas: uma totalmente divina e outra totalmente humana, as quais não devem ser confundidas nem separadas. Só na eternidade este mistério será plenamente esclarecido.

A divindade de Jesus Cristo aparece de forma muito clara na Bíblia:

ü Jesus tem os mesmos atributos de Deus. Ele é onipotente (tem o poder em todo o Universo; João 17:2), onisciente (tem toda a sabedoria e o conhecimento; Colossenses 2:3), é onipresente (pode estar em todos os lugares ao mesmo tempo; Mateus 28:20), é imutável (nunca muda em seu caráter; Hebreus 13:8), é auto-existente (tem vida em si mesmo; João 1:4), é santo (não tem pecado; Lucas 1:35) é misericordioso, amorável e eterno (1 João 3:16; Isaías 9:6).

ü Jesus exerce os poderes de Deus. Cristo é identificado na Bíblia como Criador e Sustentador do Universo; é a fonte da vida e o Juiz do mundo. Ele perdoou pecados, coisa que só Deus pode fazer (João 1:3; Colossenses 1:16 e 17).

ü Jesus tem nomes divinos. É chamado de Emanuel (Deus conosco) e Filho de Deus (Mateus 1:23; 8:29).

ü Jesus foi reconhecido como divino. “Ele estava com Deus e era Deus” (João 1:1).

ü Jesus identificou-se como divino. “O Pai e Eu somos um”, disse Jesus (João 10:30; 20:17).

ü Jesus é descrito como divino. Em várias passagens, Ele é apresentado indiretamente em igualdade com o Pai e o Espírito Santo: no batismo (Mateus 28:19), na bênção apostólica (2 Coríntios 13:13) e na apresentação dos dons espirituais (1 Coríntios 12:4-6).

ü Jesus é adorado como Deus. Os anjos deveriam adora-Lo; os discípulos O adoraram, e Ele aceitou a adoração (Hebreus 1:6; Mateus 28:17).

Por outro lado, quanto à humanidade de Cristo, as evidências são igualmente claras:

ü Jesus nasceu como ser humano. Embora Jesus fosse singular, por ter sido gerado pelo Espírito Santo, Ele era filho de Maria, descendente do patriarca Abraão e do rei Davi (Mateus 1:1, 20-23; Romanos 1:3)

ü Jesus cresceu como ser humano. “Jesus crescia no corpo e em sabedoria, e tanto Deus como as pessoas gostavam cada vez mais dEle”, registra Lucas (2:52).

ü Jesus foi identificado como “homem”. Jesus usou o título “Filho do Homem” 77 vezes para falar de Si mesmo. João Batista, Pedro e Paulo se referiram a Ele como homem, e o povo O via apenas como homem (João 1:30; Atos 2:22; Romanos 5:15).

ü Jesus tinha características humanas. Ele sentiu fome e sede, cansou, sentiu pena, ficou triste, chorou, sofreu e morreu (Mateus 4:2; 9:36; 26:21; Marcos 1:35; 3:5).

Jesus Cristo: uma pessoa espetacular!

A Bíblia apresenta dezenas de nomes, títulos e descrições de Deus (Pai, Filho e Espírito Santo). Isso é muito importante no contexto bíblico, pois, nos tempos do Antigo e Novo Testamentos, o nome revelava o caráter de seu possuidor. Confira, a seguir, uma lista com 55 deles. Ao mesmo tempo em que lê esses nomes, títulos e descrições, reflita sobre o que eles significam para sua vida pessoal. [5]

Advogado (1 João 2:1)

Alfa (Apocalipse 1:8; 21:6)

Autor da Fé (Hebreus 12:2)

Bom Pastor (João 10:11)

Cabeça da Igreja (Efésios 5:23)

Caminho (João 14:6)

Consolador (João 16:7)

Cordeiro de Deus (João 1:29)

Criador (Isaías 40:28)

Defensor das viúvas (Salmo 68:5)

Desejado de Todas as Nações (Ageu 2:7)

Deus da minha salvação (Salmo 51:14; 88:1)

Deus da paz (Romanos 16:20)

Deus de toda a graça (1 Pedro 5:10)

Deu Forte (Isaías 9:6)

Emanuel, Deus conosco (Isaías 7:14; Mateus 1:23)

Esperança de Israel (Jeremias 14:8; 17:13)

Espírito de Sabedoria e de entendimento (Isaías 11:2)

Espírito da verdade (João 14:17; 15:26)

Estrela da manhã (Apocalipse 22:16)

Eu Sou (Êxodo 3:14; João 8:58)

Filho do Homem (Mateus 12:40; 24:27)

Grande Sacerdote (Hebreus 4:14)

Imortal (1 Timóteo 1:17)

Juiz de toda a Terra (Gênesis 18:25)

Legislador (Isaías 33:22; Tiago 4:12)

Lírio dos vales (Cantares 2:1)

Luz do Mundo (João 8:12)

Maravilhoso conselheiro (Isaías 9:6)

Mediador (1 Timóteo 2:5)

Messias (João 1:41)

Mestre (Mateus 26:18; Lucas 5:5)

Omega (Apocalipse 1:8; 21:6)

Pai (Mateus 6:9; 11:25)

Pai da Glória (Efésias 1:17)

Pai das luzes (Tiago 1:17)

Pai dos órfãos (Salmo 68:5)

Pão da vida (João 6:35)

Pastor (Salmo 23:1)

Pedra angular (1 Pedro 2:6)

Príncipe da paz (Isaías 9:6)

Redentor (Jó 19:25)

Refúgio e Fortaleza (Salmo 46:1)

Rei da glória (Salmo 24:7)

Rei dos Reis (Apocalipse 19:16)

Renovo (Isaías 4:2; 1:1)

Ressurreição e vida (João 11:25)

Rosa de Sarom (Cantares 2:1)

Senhor dos Senhores (Apocalipse 19:6)

Servo (Mateus 12:18)

Ungido (Salmo 2:2)

Verbo (João 1:1)

Verdade (João 14:6)

Vida (João 14:6)

Videira verdadeira (João 15:1)

 

E agora?

Sim, Jesus Cristo é o menino que nasceu numa manjedoura, e que é celebrado no Natal; mas é mais que isso. É o menino que nasceu para ser o Salvador de todos nós. Por isso, urge uma posição e escolha de nossa parte. O Deus-Homem precisa ser recebido como Salvador, assumido como Senhor, e aceito como Juiz. Desta forma, nosso presente passará a ter sentido, e nosso futuro estará garantido.

 

[1] Esta seção se fundamenta, basicamente, no clássico de Josh McDowell & Bill Wilson, Ele andou entre nós – evidências do Jesus histórico. São Paulo: Candeia, 1998. Alguns podem questionar a autenticidade dos documentos aqui mencionados, mas eles permanecem como registro histórico confiável.

[2] Adaptado de artigo disponível na Bíblia Online, CD publicado pela Sociedade Bíblica do Brasil.

[3] Adaptado de Damsteegt, P.G. editor. Nisto Cremos – Ensinos Bíblicos dos Adventistas do Sétimo Dia. Tatuí: CPB, 1997, p. 79-82.

[4] Adaptado de BENEDICTO, Marcos de. Fé Inteligente – um guia para você entender e viver o cristianismo. Tatuí: CPB, 2001, p. 17 e 18.

[5] BENEDICTO, Marcos de. De Bem Com Jesus. Tatuí: CPB, 2000, p. 122.

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