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ADRA de Minas Gerais apoia projeto que ajuda dependentes químicos

Entidade busca patrocinadores para alavancar o projeto.

O Pedra fundamental começou com 40 pessoas frequentando, em uma casa menor. Atualmente são mais de 63, entre crianças, adolescentes e adultos, em um local mais amplo.

O Pedra fundamental começou com a participação de 40 pessoas que se reuniam em uma casa menor. Atualmente, são mais de 63, entre crianças, adolescentes e adultos, em um local mais amplo.

Juiz de Fora, MG… [ASN] Aos 14 anos, Jeferson Guimarães começou a usar drogas. Com o tempo, tornou-se dependente e essa situação resultou no afastamento dos amigos e da família. Ele trabalhava para manter o vício. E foi em um destes empregos que Guimarães conheceu Fabrício Martins. A partir deste encontro, sua vida começou a mudar. “Eu conheci o Fabrício num estacionamento. Aí pedi para cuidar de seu carro, começamos a conversar e, depois de um tempo, me auxiliou no tratamento contra as drogas”, conta Guimarães.

Martins é o criador do projeto Pedra Fundamental, que ajuda usuários de drogas a deixar o vício. Na época em que  encontrou o rapaz, o projeto ainda não existia, mas foi presenciando o envolvimento dos amigos com as drogas que ele teve a ideia do projeto. “Logo em seguida, começamos a trabalhar com o logo do programa “Crack, tire esta pedra do seu caminho”. Depois fabricamos as camisetas e vendemos. O dinheiro arrecadado era voltado para uma clínica de recuperação para dependentes químicos”, diz Martins, dono de uma estamparia, o que ajudou a alavancar o projeto.

No entanto, o processo de recuperação de Guimarães exigiu força de vontade, determinação e confiança. “Foi muito difícil, pois a dependência atinge a área física, mental e a espiritual. O mais complicado foi mudar a minha mente. Tive que mudar o meu pensamento, pois foram 19 anos tendo uma vida ilícita”, desabafa.

Guimarães ainda conta que o Pedra Fundamental, iniciado com ele, fez a diferença no processo de reabilitação porque, além de pagar dois meses de internação, o ajudou a voltar ao ambiente social, familiar e na inserção ao mercado de trabalho. “Antes eu era sozinho, não tinha ninguém, pois minha família não me aceitava. Hoje em dia minha mãe me liga, eu vou à sua casa. Deus restituiu a minha família, preparou uma casa pra mim, pessoas e um emprego. Deus fez tudo por mim.”, reconhece.

“Hoje nós temos pessoas que se libertaram das drogas, sem a clínica, só com o projeto e orientações passadas aqui”, diz Martins, criador do projeto.

“Hoje nós temos pessoas que se libertaram das drogas sem a clínica, só com o projeto e orientações passadas aqui”, diz Martins, criador do projeto.

Atualmente, ele é monitor de um hospital de dependência química em Juiz de Fora, onde vive, é casado, tem três filhos, ajuda outras pessoas por meio de sua história e do trabalho espiritual que faz no Pedra Fundamental, que também é realizado em Juiz de Fora.

O projeto

Hoje o programa não leva os dependentes químicos à uma clínica de reabilitação, pois viram que ela não complementava o trabalho feito no Pedra Fundamental. Um dependente ficava seis meses na clínica, porém, com três dias fora, voltava a se drogar.

Por não ter uma clínica própria, atualmente o projeto faz o trabalho de prevenção com crianças e adolescentes, além de oferecer orientações, apoio espiritual, oficinas manuais, entre estamparia, criação de arte para estampas e outros, contribuindo para a inserção dos ex-dependentes ao mercado de trabalho.

Porém, os desafios são grandes. Martins conta que gasta mais de R$900,00 para manter o aluguel, os lanches oferecidos nas reuniões que acontecem às quintas-feiras, água e energia. Por esta dificuldade, a Agência Adventista de Desenvolvimento e Recursos Assistenciais (ADRA) de Minas Gerais se sensibilizou com o projeto e realizou uma parceria no final de setembro. “A ADRA vai buscar parceiros para o Pedra Fundamental, divulgar o projeto em todo o Estado e conseguir, junto à Prefeitura de Juiz de Fora, a certificação no Conselho Municipal de Assistência Social (CMAS/JF) e no Estatuto da Criança e do Adolescente”, esclarece Noedosn Dorneles, diretor da entidade no território mineiro.

Aula sobre higiene bucal com um dentista voluntário.

Aula para crianças sobre higiene bucal com um dentista voluntário.

Após essa parceria, a Associação Mineira Sul (AMS), escritório responsável pela Igreja Adventista do Sétimo Dia (IASD) no Sul de Minas, também ajudará com o pagamento do aluguel e a disponibilização de equipamentos para realização de atendimento odontológico.

Martins está otimista com o apoio. “Eu creio que a ADRA vai ajudar a realizar muitos sonhos. Não temos como oferecer mais coisas por falta de dinheiro, mas, com essa parceria, acredito que esta realidade irá mudar. Estou confiante e muito feliz”, alega. Ele ainda comenta que almeja oferecer às pessoas palestras com profissionais, oficinas de corte e costura, entre outros cursos.

Apesar das dificuldades, a esperança permanece. “Eu sou livre, graças a Deus, pois a droga é uma prisão. Vendo a dificuldade dos meus amigos, senti vontade no meu coração de ajudar, de tentar. Mesmo que não dê certo com alguns, vou continuar, pois sei que ainda existem aqueles que irão perseverar e conseguir”, diz Martins que já foi dependente. [Equipe ASN, Vanessa Lemes]

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